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Economia

Banco Central

BC inicia reunião do Copom em meio à mudança de aposta sobre alta do juro

Declarações do presidente da autoridade, Alexandre Tombini, mudaram as expectativas de elevação da Selic - a taxa básica de juros - de 0,50 ponto para 0,25 ponto

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Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2016 | 17h08

Uma mudança de curso das expectativas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), sem precedentes, toma conta do primeiro dia da reunião do colegiado, que começou na tarde desta terça-feira, 19 (16h10). Inicialmente, o mercado financeiro apostava em peso numa elevação da Selic de 14,25% para 14,75% ao ano no encontro que termina amanhã. Com base em sinais passados hoje pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, as expectativas mudaram.  

Apesar da recessão econômica pela qual passa o País, os argumentos dos economistas para uma alta de meio ponto eram fincadas na percepção de que, com a inflação corrente em alta e as expectativas mais elevadas ainda, o BC atuaria com seu instrumento de política monetária. Mesmo em um momento de retração econômica. Até porque, porta-vozes da instituição apontavam que o mandato do BC é para conter a inflação e que não há trade-off (conflito de escolha) em relação à atividade econômica. 

Mais do que isso, os analistas acreditavam que um aumento mais agressivo da taxa básica agora seria uma resposta aos que colocavam na berlinda a credibilidade da instituição, e de Tombini. Principalmente em um momento de pressão política e de críticas dentro do PT sobre a retomada da alta, com um esforço de tentar evitá-la.

Por meio de nota, no entanto, o presidente disse que as mudanças feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2016 e 2017 foram "significativas". Acrescentou que essa informação seria usada como referência para o colegiado. Ficou aqui a pista de que a intenção, pelo menos neste primeiro momento, é de elevar a Selic em menor magnitude do que previa o mercado. 

Ex-diretores do BC consultados pelo Broadcast se disseram "perplexos" com o comentário de Tombini sobre o FMI, considerado sem precedentes por ter sido feito em dia de Copom, quando banqueiros centrais ficam ainda mais circunspectos do que o de costume. Avaliaram, porém, que antes essa reviravolta na véspera da decisão do que um susto ainda maior no dia do anúncio.

A terceira onda de elevação ainda pode ocorrer, conforme sinalizam os negócios do mercado depois da declaração de Tombini, mas em menor grau. Prevalece agora a aposta de 0,25 ponto porcentual de alta. Como o próprio presidente enfatizou em sua carta aberta, divulgada há 11 dias, desde abril de 2013, o BC já elevou a Selic em 7 pontos porcentuais, em dois ciclos de alta interrompidos por períodos de estabilidade. 

Vale lembrar, no entanto, que o ponto de partida dessa alta foi justamente a marca de 7,25% que permanecia em março daquele ano, a mais baixa da história do País e que carrega hoje grande parte da culpa da falta de credibilidade do BC em sua missão de segurar os preços. 

A pergunta que fica é como votarão os diretores dissidentes (Sidnei Marques e Tony Volpon) do último encontro que manteve a taxa estável em um placar de 6 a 2. Sabe-se que dificilmente um presidente do BC fica no grupo dos vencidos e, com o colegiado contando com oito membros, seu voto poderá ser de minerva. Difícil o BC se expor tanto, mas não impossível. 

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