Filipe Araujo/Estadão
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Banco Central vê recessão mais forte em 2015 e agora projeta queda do PIB de 2,7%

Estimativa anterior era de retração do PIB de 1,1%; para a inflação, a projeção é que os preços subam 9,5% neste ano e 5,3% em 2016, segundo o Relatório de Inflação 

Victor Martins, Célia Froufe e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 08h56

BRASÍLIA - Com o Brasil em meio a estagflação, quando há um aumento dos preços ao mesmo tempo em que a atividade se retrai, o Banco Central passou a prever que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deverá registrar retração de 2,7%. A informação consta do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado há pouco. Na edição anterior, a previsão do BC era de uma queda de 1,1% para a economia brasileira este ano.

A piora da projeção foi puxada por uma expectativa de mais recessão tanto na indústria quanto no setor de serviços. Pelas novas projeções, o PIB do setor agropecuário vai crescer 2,6% ante 1,9% da estimativa anterior. Já a projeção para a indústria passou de -3% para -5,6%. O setor de serviços, de acordo com o BC, deve ter uma queda de 1,6% - no relatório de anterior, o BC contava com uma queda de 0,8%.

Ainda de acordo com o RTI, o consumo das famílias deve ter queda de 2,4% em 2015, enquanto o do governo, de 1,4%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter baixa de 12,3% este ano.

O BC revelou que sua estimativa para o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2016 deve ser de queda de 2,2%. No mercado financeiro, as previsões para a atividade seguem também negativas. No boletim Focus, a mediana para o PIB deste ano está negativa em 2,70% e, para 2016, apresenta recessão de 0,80%. 

Inflação. O Banco Central revelou a informação mais esperada pelo mercado financeiro dos últimos dias: sua projeção para o IPCA de 2016. Segundo Relatório Trimestral de Inflação, a inflação subirá 5,3%, pelo cenário de referência, no ano que vem. A estimativa anterior da autoridade monetária era de 4,8%. A promessa do BC é entregar a inflação na meta de 4,5% no fim de 2016. Já no cenário de mercado, a previsão de alta de 5,1% para o próximo ano foi substituída pela de 5,4%.

Para 2015, a projeção é de inflação de 9,5%. Apontados como os principais vilões da inflação no curto prazo, os preços administrados devem ter alta de 15,4% em 2015 no cenário de mercado e no de referência.

Estas estimativas serão fundamentais para os analistas do setor privado calibrarem suas previsões para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o final de outubro. A dúvida é sobre se o BC manterá a Selic em 14,25% ao ano por "tempo suficientemente prolongado", como indicou na ata da última reunião do Copom, ou se reiniciará o processo de aperto monetário.

A mediana das previsões do mercado para o IPCA de 2016 está há sete semanas em alta e, na última segunda-feira, atingiu 5,70% no Relatório de Mercado Focus. No grupo Top 5, que reúne as cinco instituições que mais acertam as estimativas para o índice no médio prazo, a mediana das previsões está em 5,98%.

Investimento. Os investimentos no País vão continuar com forte queda em 2016. De acordo com previsões do Banco Central, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) acumulada em 12 meses até junho do próximo ano vai recuar 12,1%. Em 2015, o tombo dos investimentos será de 12,3%.

Dólar. O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, um dos principais documentos da instituição, chegou a público com dólar defasado. Com data de corte de 18 de setembro, ele foi fechado depois do rebaixamento do Brasil pela Standard & Poors, agência que também tirou o selo de bom pagador do Brasil, mas, apesar disso, a cotação usada pelo BC é mais otimista que a do mercado.  

O valor usado como parâmetro para a estratégia do Copom ficou em R$ 3,90, abaixo da cotação atual, de R$ 4,2190 (abertura desta quinta-feira) e do valor da moeda no dia do fechamento do relatório, de R$ 3,9500. Na data de fechamento do RTI, o dólar para outubro fechou em R$ 3,96250.

O valor usado pelo BC para montar seu cenário também está 3,55% abaixo do que a instituição ponderou na ata da última reunião do Copom, quando a instituição decidiu manter a taxa Selic em 14,25% ao ano. No dia desse encontro, o dólar futuro para outubro fechou em R$ 3,7940.

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