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BlackRock reduz aposta na Petrobrás

MARIANA DURÃO, MÔNICA CIARELLI / RIO - O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2013 | 02h 07

Em visita ao País, gestor de um dos maiores fundos americanos diz não estar confiante com a estatal brasileira

Embora tenham em comum resultados mais fracos em 2012 e políticas de ajuste em curso, Vale e Petrobrás vivem momentos distintos frente aos investidores. Gestor de fundos ativos da BlackRock que somam US$ 6,5 bilhões na América Latina, Will Landers avalia que a mineradora já entrou em fase de retomada da confiança dos acionistas. Já a petroleira, altamente endividada e pressionada por seu bilionário plano de investimentos, terá de "provar que pode entregar" para reconquistar credibilidade. Ao encerrar ontem uma temporada de visitas a companhias brasileiras, Landers falou com exclusividade à Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

A análise positiva sobre a Vale é reflexo da alta dos preços do minério de ferro, mas também da estratégia de gestão de Murilo Ferreira à frente da companhia. Convencido de que o executivo está "fazendo o dever de casa", Landers vem elevando sua posição na Vale desde o 4.º trimestre de 2012. O porcentual do patrimônio dos fundos sob sua gestão aportados em ações da mineradora saiu de 7% para 10,1%.

Entre os acertos de Ferreira ele cita o recém-anunciado acordo com a canadense Silver Wheaton Corp. (SLW) para vender parte dos fluxos de ouro extraído como subproduto de minas de cobre e níquel no Brasil e no Canadá. A Vale receberá US$ 1,9 bilhão. "Isso é superpositivo. Vai monetizar uma parte da companhia a que o mercado atribuía zero de valor", diz.

Para a Petrobrás, o discurso é outro. Durante a visita do gestor americano ao Brasil, a estatal anunciou o mais baixo lucro dos últimos oito anos e sua presidente, Graça Foster, alertou que 2013 será ainda mais difícil. A BlackRock - maior gestora de recursos do mundo, com US$ 3,7 trilhões em ativos - chegou a ser a principal minoritária da Petrobrás, mas vem reduzindo sua posição nos últimos anos. No caso dos fundos para a América Latina, a petroleira responde por 5,2% dos recursos de sua carteira dedicados à região.

Diante do cenário desafiador para a Petrobrás, Landers descarta aumentar apostas na companhia e pouco se animou com o reajuste de combustíveis. O gestor não entende como oportunidade de compra a forte desvalorização das ações em Bolsa nos últimos dias porque não enxerga nenhum "catalisador" de melhora na performance dos papéis da empresa no curto prazo.

"Como a presidente falou, o crescimento não vem até 2014. Você tem de acreditar (para investir) que o que estão fazendo vai dar resultado dali para a frente. Mas, dado o histórico de não entrega, fica difícil", diz.

A desconfiança persiste apesar da visão de que Graça Foster é uma executiva "realista" e "bem-intencionada" em recuperar as operações da companhia. Mesmo a mudança na política de dividendos foi vista como correta pelo gestor, diante da limitação de caixa da petroleira para sustentar investimentos.

A BlackRock esteve no centro de um embate entre acionistas minoritários e controladores da Petrobrás que pôs em xeque a governança da companhia. Na eleição do conselho em 2012, a gestora americana e a carioca Polo Capital lideraram a indicação de dois representantes dos minoritários para o conselho.

Os nomes foram derrubados pelo voto dos fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef) e BNDES, que elegeram Jorge Gerdau e Josué Gomes Batista. Os demais minoritários consideram que os fundos e o banco não poderiam votar como minoritários, por terem vínculo com a União, controladora da Petrobrás. O assunto já foi levado por acionistas ao ministro da Fazenda e presidente do conselho da estatal, Guido Mantega.

Brasil. Dos US$ 3,7 trilhões em ativos que o BlackRock tem sob gestão no mundo, um terço está em ações. Dos US$ 6,5 bilhões dos fundos de ações comandados por Landers na América Latina, 66% são aplicados no Brasil. O baixo crescimento do PIB nos últimos anos e medidas governamentais vistas lá fora como intervencionistas, segundo ele, puseram fim à lua de mel dos estrangeiros com o País. "O Brasil perdeu um pouco da confiança dos investidores globais, dado o movimento de microintervenções na economia. Agora, eles estão esperando para ver."

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