Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Blairo confirma mudanças na fiscalização da indústria de carne bovina

Decisão de fazer alterações na estrutura de fiscalização sanitária tem como objetivo a retomada das importações de carne bovina brasileira por alguns países, como os EUA

Felipe Frazão e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 17h32

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, confirmou nesta terça-feira que o governo planeja mudanças para os próximos dias na fiscalização de frigoríficos do País. A decisão de fazer algumas alterações na estrutura de fiscalização sanitária, antecipada à coluna do Broadcast Agro, tem como objetivo a retomada das importações de carne bovina brasileira por alguns países, como os Estados Unidos. O ministro, que visitou o país do Hemisfério Norte, disse esperar a retomada do mercado norte-americano em 60 dias.

"Não nos foi dado nenhum prazo (para liberação de importação). Eu imagino que em sessenta dias da minha visita conseguimos resolver esse assunto. Esse é um prazo meu", disse Maggi depois de acompanhar o presidente Michel Temer em encontro com a bancada ruralista, em Brasília. "Nós temos questões técnicas com os americanos; eles apontaram várias falhas por parte dos frigoríficos no Brasil. Nós estamos fazendo ajustes aqui dentro, medidas muito fortes virão para a gente recolocar o Brasil na condição que sempre tivemos de respeito no mundo pelas proteínas e pela qualidade do que vendemos lá fora." Segundo Maggi, uma das medidas deve acabar com a interferência política no setor. O ministro não deu prazo para a divulgação das mudanças.

"Quando cheguei no Ministério achava que as indústrias deveriam ter total responsabilidade pelo que elas fazem. Mas, infelizmente, não é assim", disse. "Nós temos que puxar a régua da fiscalização. Seremos mais rígidos, mais participativos. Faremos algumas mudanças para retirar de vez qualquer interferência política que pode haver nesse meio, que é umas das reclamações que o mercado internacional tem. Em poucos dias vamos apresentar essas alterações que darão essa tranquilidade aos consumidores e compradores de fora."

Funrural. O ministro também afirmou que o governo espera que o Congresso faça mudanças no texto da medida provisória que alivia dívidas do Funrural. A MP prevê, de entrada, o pagamento de 4% da dívida consolidada, embora os parlamentares queriam alterar para 1% no caso dos produtores rurais e 1% dividido em cinco vezes para os adquirentes. "Esse é um assunto muito complicado porque, se formos atender a todos os pleitos, não íamos chegar a lugar nenhum. Era a hora de se apresentar a medida provisória. Os parlamentares terão a oportunidade de fazer as suas emendas, e o Executivo, dentro de sua responsabilidade fiscal, fará os vetos ou não. O importante é que de hoje em diante teremos uma base legal para trabalhar", disse.

O deputado Nilson Leitão (PSDB/MT) disse que o governo Temer "avançou em temas que se arrastam há mais de 40 anos no Brasil" (como regularização fundiária) e que é hora de "agradecer", mas procurou desvincular as medidas da votação da denúncia contra Temer na Câmara. "São temas que se arrastam há 40 anos. Governos com 80% de aprovação não tiveram coragem de fazer. Nós temos sim que pedir muito, mas temos também que saber agradecer aquilo que avançou para o Brasil. Hoje o Brasil vive um novo momento e tem que saber reconhecer politicamente", disse Leitão.

"Não tem voto fechado. Estavam aqui deputados que não votarão com o presidente, mas usaram o microfone para agradecer essas conquistas. A frente é suprapartidária, regional e faz um trabalho para o setor produtivo da economia brasileira. Cada um tem a sua decisão."

O tucano confirmou que haverá discussão da MP na Câmara, sobretudo na negociação do endividamento de pequenos e médios produtores. Um deles é o pagamento de dívidas dos frigoríficos com a receita do ano seguinte, em até R$ 15 milhões. O restante deveria ser pago por mensalidades em até 180 meses. O limite deve ser modificado. "Nós vamos ampliar esse valor de 15 milhões. É muito pouco e vai quebrar um setor que já foi muito maltratado", afirmou Leitão.

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