Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

BNDES reduz juros para setores como segurança e saneamento

A intenção é que, por força da competição, as instituições que trabalham com as linhas de financiamento do banco repassem essa economia na forma de menores taxas ao tomador final

O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 17h29

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira, 6, redução nos spreads praticados nas suas operações de crédito para os chamados setores prioritários de 1,7% ao ano para 0,9% ao ano. A medida foi anunciada pelo presidente do banco de fomento, Paulo Rabello de Castro, na entrevista coletiva onde foi apresentada à imprensa a nova política operacional do BNDES, que, segundo ele, deve entrar em vigor até, no máximo, a próxima segunda-feira.

O termo spread é empregado no mercado financeiro para designar a diferença entre o que o banco capta no mercado e repassa para o tomador de empréstimo. Na prática, trata-se do lucro que a instituição tem na operação de crédito.

Como exemplo, o tomador de empréstimo vai agora pegar um recurso do BNDES pagando, em juros, a Taxa de Taxa de Longo Prazo (TLP), que substituiu a TJLP como taxa básica das operações do BNDES em janeiro, hoje em 6,76%, mais o spread de 0,9%.

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Com as mudanças, foram designados segmentos prioritários a segurança, inovação, meio ambiente, saneamento e qualificação profissional. De acordo com Rabello, nos demais casos, os spreads podem chegar a até 2,1% ao ano, com faixas intermediárias de 1,3% e 1,7% ao ano.

Ainda segundo o presidente do BNDES, o spread do Finame, nome da linha de financiamento de bens de capital, como caminhões e máquinas, caiu de 1,87% para um piso de 1,27%.

Rabello de Castro disse que as novas condições de financiamento do banco de fomento têm como objetivo estimular a economia com a redução das taxas de juros dos projetos que recebem recursos da instituição. "Terá impacto positivo no PIB (Produto Interno Bruto), só não podemos arriscar quanto", comentou Rabello.

As novas condições envolvem maior cobertura do banco em algumas de suas linhas de financiamento e redução, de 1,7% para 1,3%, do spread médio do BNDES. A intenção é que, por força da competição, os bancos que trabalham com as linhas de financiamento do BNDES repassem essa economia na forma de menores taxas de juros cobradas ao tomador final de crédito.

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A medida foi anunciada na esteira de criticas de setores empresariais sobre o aumento no custo de financiamento de investimentos com a mudança da taxa de captação do BNDES: da TJLP para a TLP. Mas Rabello negou que o anúncio tenha sido uma forma de compensação. "Se fosse TJLP, o raciocínio seria o mesmo", comentou o presidente do BNDES, acrescentando que a nova política operacional representa a contribuição do banco de fomento para reduzir a taxa de juros no Brasil.

Carência e amortização. O BNDES anunciou também o alongamento dos prazos tanto de carência quanto de amortização nos financiamentos a projetos de infraestrutura.

Segundo Rabello de Castro, os investimentos em ferrovias, rodovias, hidrovias e mobilidade urbana poderão ter prazos de até 34 anos. Há outras três faixas de prazo que podem chegar a 24 anos para projetos de energias alternativas, portos, aeroportos, exportação e desenvolvimento regional.

Financiamento a educação, saúde, segurança e telecomunicações, entre outros, têm prazo de até 20 anos. Para empréstimos destinados a capital de giro, o prazo máximo é de 5 anos. "A partir de agora, o BNDES também passará a calcular o porcentual máximo de participação dos seus financiamentos com base no investimento total do projeto e não apenas em cima dos itens financiáveis", explicou Rabello de Castro. Ele afirmou que as mudanças coloca o BNDES em linha com a prática usual de mercado.

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No caso de micro, pequenas e médias empresas, a participação máxima do BNDES pode chegar a até 100% em todas as linhas de financiamentos. Para grandes empresas, explicou Rabello de Castro, a participação máxima do BNDES é de 80% no caso de projetos considerados incentivados aqueles dos setores prioritários e de 60% nos demais casos.

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