BNDES libera R$ 7,3 bi para Vale investir no Brasil

Trata-se da "maior linha já disponibilizada pelo BNDES para uma empresa só", segundo Coutinho

Reuters,

01 Abril 2008 | 15h12

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou um financiamento de R$ 7,3 bilhões para a mineradora Vale, destinado a investimentos em projetos no Brasil nos próximos cinco anos, informou o banco nesta terça-feira. Trata-se da "maior linha já disponibilizada pelo BNDES para uma empresa só", informou o presidente da instituição, Luciano Coutinho. Os R$ 7,3 bilhões, todos para investimento, superam a soma dos outros sete limites de crédito do mesmo tipo já concedidos pelo BNDES. Os empréstimos fazem parte de uma modalidade de financiamento chamada "limite de crédito", considerada mais ágil, e vão reforçar o caixa da empresa para seu plano de investimentos totais de US$ 59 bilhões para o período de 2008 a 2012. "A modalidade de limite de crédito tem por objetivo dar maior agilidade ao processo de financiamento de projetos de investimentos de empresas clientes tradicionais do BNDES", informou o banco em nota. "Assim não é preciso analisar caso a caso", disse o presidente do BNDES, na solenidade de assinatura do contrato.   De acordo com Coutinho, a cifra faz justiça ao tamanho do programa de investimento da Vale, que prevê US$ 59 bilhões nos próximos cinco anos. Coutinho lembrou que é o maior programa de investimentos de uma empresa de mineração e, com exceção do da Petrobras, é o maior do País. Coutinho disse que o limite de crédito foi concedido depois do exame de 18 projetos de desenvolvimento novo da Vale. De acordo com Coutinho, o BNDES considera que o conjunto de projetos de investimento a serem executados pela Vale tem previsão de rentabilidade "nem que os preços (do minério de ferro e demais produtos da Vale) caiam um pouquinho".   Planos da empresa   A Vale está negociando com outros bancos estatais contratos de financiamento semelhantes aos assinados hoje com o BNDES, segundo o diretor-executivo de finanças da empresa, Fábio Barbosa. Ele garantiu que o contrato com o BNDES não resulta de condições adversas do mercado financeiro.   "Nós estamos nesse processo desde o ano passado. Logo após a Vale anunciar o plano estratégico em agosto, com investimentos de US$ 59 bilhões em cinco anos, nós iniciamos esses contatos. Em setembro estivemos no Oriente Médio e em novembro na China, visitando as agências oficiais", disse Barbosa.   O diretor da Vale citou também que já tem negociações com instituições financeiras oficiais do Japão. "Essas agências têm interesse em apoiar projetos como os da Vale", comentou.   Agnelli afirmou que a Vale não pretende ampliar o nível de endividamento da companhia. "Essas linhas de crédito facilitarão o dia-a-dia da empresa. O que devemos fazer é quitar algumas operações e utilizar essas linhas de crédito", acentuou.   A operação aprovada hoje pelo BNDES prevê que 80% dos créditos serão vinculados à variação do dólar e os outros 20% referenciados na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que atualmente está em 6,25% ao ano. "São condições que se enquadram muito bem com o programa de investimentos da empresa", acentuou.   Próximas operações   Os dois créditos do BNDES que vêm em seguida, ambos de R$ 900 milhões, são do Grupo Gerdau e da Usiminas. A Klabin tem R$ 827 milhões. Em seguida, vem o grupo Ultra, com R$ 728 milhões, cerca de um décimo do que o limite da Vale. A lista é completada por Braskem (R$ 600 milhões), Copesul (R$ 338 milhões) e Elekeiroz (R$ 117 milhões).  

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