AYRTON VIGNOLA/ESTADÃO
AYRTON VIGNOLA/ESTADÃO

BNDES pode pedir afastamento da família Batista do comando da JBS

Presidente da instituição, que detém 21% de participação no frigorífico, diz que manter o valor da companhia é obsessão e que acionistas tomarão 'todas as medidas necessárias' para resolver situação da companhia

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2017 | 16h17

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou que o conselho de administração da JBS pode passar por mudanças. Atualmente, o presidente executivo da companhia, Wesley Batista, faz parte do colegiado jundo com seu pai, José batista Sobrinho. Joesley Batista, que gravou uma conversa com o presidente Michel Temer sobre pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, foi afastado do conselho da JBS após delação ao Ministério Público.

O BNDES é acionista minoritário da JBS e detém fatia de 21% no frigorífico por meio do BNDESPar, seu braço de participações em empresas. Rabello de Castro afirmou que a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelos minoritários da JBS pode resultar em mudança na composição do conselho da companhia e que acontecem discussões entre conselheiros do banco sobre mudanças também no comando executivo da empresa. 

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"Vamos avaliar as consequências dos últimos eventos políticos envolvendo a companhia e tentar manter ou até aumentar o valor desta companhia por meio de providências de boa governança, termos de requalificação da diretoria executiva e do conselho de administração", disse. Segundo ele, uma decisão sobre tais mudanças é urgente e deve acontecer nas próximas semanas.

Rabello lembrou que o grupo de minoritários, composto também pela Caixa e outros minoritários relevantes no exterior, como fundos com os quais o BNDESPar está em contato permanente, somam uma minoria perto de 40%. "Quando comparado aos 42% detidos na empresa pela J&F, verificamos que não há diferença substancial de tamanho ou responsabilidade em relação à empresa", destacou.

"O BNDES se vê com imensa e total responsabilidade sobre o valor da companhia e aos mais de 120 mil empregos no País e 120 mil colaboradores no exterior", frisou ainda. "Mas ter o valor dessa companhia é a nossa única e total obsessão. Tomaremos todas as medidas que facilitarem um rápido desenlace da questão econômica-financeira”.

Nesse sentido, de preservar valor, Rabello afirmou que o primeiro passo é a convocação da AGE, já que "somente com todos os sócios e estabelecendo o sol da transparência sobre a sombra e completa profissionalização da governança poderemos dar o destino de grandeza dessa companhia, o qual já percorreu", afirmou em conversa com jornalistas em São Paulo.

Segundo ele, o banco não está sendo motivado por sentimento de perseguição a ninguém, mas pela profissionalização, lembrando que Wesley foi responsável pela condução do crescimento que fez da JBS uma das maiores companhias de proteínas do mundo.

"Se a companhia está passando por período delicado, que é associado a figura desses administradores, mais uma razão para que essa posição seja revista, sem nenhum intuito personalístico. Isso inclui também o comando executivo, a presidência da empresa. Esta pauta não demanda AGE e está acontecendo entre nossos conselheiros", destacou ainda.

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