Assine o Estadão
assine

BNDES prevê queda de 25% em crédito para mobilidade

Em 2015, banco liberou R$ 8,5 bi para projetos de transporte urbano, mas crise econômica travou novas expansões

0

Vinicius Neder,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 08h10

RIO - Após um ciclo de alta puxado por investimentos de governos locais e avanços em parcerias público-privadas (PPP), os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os projetos de mobilidade urbana terão um tombo de 20% a 25% em 2016. Ano passado, o banco de fomento liberou R$ 8,5 bilhões para transportes urbanos.

A falta de dinheiro público para investir, diante da crise fiscal da União e dos Estados, inibe a chegada de mais projetos e, sem eles, 2017 também será ano de queda, informou Rodolfo Torres, chefe do Departamento de Mobilidade e Desenvolvimento Urbano do BNDES.

Até 2012, o BNDES vinha liberando, a cada ano, em torno de R$ 1 bilhão para investimentos em metrô e trens urbanos. De lá para cá, novos e maiores pedidos de empréstimos chegaram, incluindo a construção de linhas de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos, o bonde moderno) e BRT (Bus Rapid Transit, os ônibus articulados em faixas exclusivas), muitos deles incluídos no chamado “legado” da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do Rio.

Alguns projetos de destaque dos últimos tempos são a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo (R$ 9,5 bilhões em empréstimos), a Linha 18-Bronze (monotrilho na região do ABC, em São Paulo, com R$ 3,2 bilhões em empréstimos) e a Linha 4 do Metrô do Rio (R$ 6,6 bilhões).

Para o primeiro, o governo paulista já teve um financiamento de R$ 4,5 bilhões aprovado, mas o consórcio da PPP que toca as obras e operará a linha (formado por Odebrecht Transport, Queiroz Galvão, UTC Participações e Fundo Eco Realty) ainda aguarda a aprovação de empréstimo de R$ 5,5 bilhões – prometida ainda para este primeiro trimestre.

O projeto da Linha 18-Bronze tem dois pedidos em análise: R$ 1,2 bilhão do governo paulista e R$ 2 bilhões do consórcio responsável pela PPP (formado pela Primav, do grupo CR Almeida, Cowan, Encalso e a argentina Benito Roggio). Pelo menos um dos empréstimos está prometido para até o fim do primeiro semestre, disse o BNDES.

Daqui por diante, com a crise fiscal, não há projetos desse porte à vista do BNDES. Após a aprovação de empréstimo de R$ 2 bilhões para o Metrô de Salvador, tocado por uma PPP controlada pela CCR, só faltam mesmo o financiamento para a Linha 6-Laranja e os empréstimos para a Linha 18-Bronze.

Comentários