Wilton Junior/Estadão
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BNDES vai dobrar crédito, diz Rabello

Planejamento traçado por presidente do banco de fomento contraria política econômica defendida pelo ministro Henrique Meirelles

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 23h44

RIO – Em mais uma divergência com o Ministério da Fazenda, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse nesta quarta-feira, 6, que o planejamento estratégico da instituição de fomento, a ser anunciado em fevereiro, incluirá a previsão de elevar os desembolsos para R$ 150 bilhões ao ano em 2022. Uma redução no peso do BNDES faz parte da política econômica desenhada pelo ministro Henrique Meirelles e pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn.

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Os desembolsos do banco de fomento deverão encerrar 2017 na casa dos R$ 75 bilhões, retornando ao nível de 2007. Parte da redução se deve à queda da demanda por crédito para investir, por causa da recessão, mas o BNDES também passou por reorientação feita pela ex-presidente Maria Silvia Bastos Marques, que presidiu o banco de junho de 2016 a junho de 2017.

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Para elevar os recursos, Rabello citou a possibilidade de captar recursos no exterior, no mercado de capitais local e com a venda da carteira de ações. "O mundo está repleto de recursos precisando de bons intermediadores. Aliás, os recursos existem inclusive no mercado de capitais brasileiro. Podemos fazer securitização (da carteira de crédito) e venda da nossa carteira de ações", afirmou Rabello, após palestra a empresários na sede da Federação das Indústrias do Rio (Firjan).

O BNDES, por meio da BNDESPar, é o maior investidor institucional do mercado brasileiro, com carteira em torno de R$ 70 bilhões, e já vem vendendo ações. Até o fim de outubro, as vendas somavam R$ 3,5 bilhões, enquanto as compras foram de apenas R$ 160 milhões, como revelou o Estado. As vendas de ações da Petrobrás, na qual o BNDES tem 16,5% de participação, foram o destaque.

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Questionado se a meta de elevar os desembolsos não iria na contramão de um novo papel do BNDES, mais focado no financiamento de projetos que não interessam ao setor privado, Rabello disse que "o banco é casado com o desenvolvimento nacional" e "não vai ficar esperando" um "livro-texto escrito por algum liberal perdido numa rua em São Paulo" que diga que o Brasil tem que esperar que o "mercado apareça" para se desenvolver. O Ministério da Fazenda não se manifestou.

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