Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Bolsa tem queda de 1,30% influenciada por prejuízo da Petrobrás

Ibovespa fechou aos 84.928,20 pontos reagindo ao dissabor das perdas registradas pela estatal de petróleo; dólar aproximou-se dos R$ 3,30, patamar que não operava desde o final de 2017

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 18h27

A Bolsa brasileira operou nesta quinta-feira, 15, basicamente sob influência do ambiente corporativo local e, principalmente, ao dissabor das perdas registradas nos papéis da Petrobrás. Muito embora tenha tocado os 84.719 pontos na mínima (-1,55%), no final do pregão o índice reduziu a queda para 1,30% e fechou nos 84.928,20 pontos.

Já o dólar se aproximou do teto informal dos R$ 3,30, no qual não opera desde o final de 2017. No mercado à vista, a divisa norte-americana fechou em alta de 0,69%, cotada a R$ 3,2865, maior valor desde 9 de fevereiro. Na máxima, chegou aos R$ 3,2971 (+1,02%). Os negócios somaram US$ 1,4 bilhão. No mercado futuro, o dólar para liquidação em abril subia 0,81% às 17h17, depois de ter atingido máxima intraday de R$ 3,3005. Operadores ouvidos pelo Estadão/Broadcast observaram remessas de recursos ao exterior, pela manhã e à tarde, via tesourarias bancárias.

Segundo o gestor-chefe da Garín gestora de investimentos, Ivan Kraiser, o recuo nos papéis da petroleira brasileira representavam, por volta das 16h20, cerca de 300 pontos da queda de 1.180 pontos do Ibovespa nesta quinta-feira. A maior parte (250 pontos), das ações PN - que fecharam em queda de 4,78%. O movimento refletia o temor quanto às incertezas dos investidores sobre a nova política de distribuição de dividendos citada pelo presidente da estatal, Pedro Parente.

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"A bolsa continua em um canal de alta, mas está trabalhando na faixa entre os 84 mil pontos e os 87 mil pontos, sem força para romper esse último patamar", ressaltou o operador da mesa institucional da Renascença Corretora Luiz Roberto Monteiro, lembrando que falta o impulso do investidor estrangeiro que houve no mês de janeiro, quando o Ibovespa valorizou pouco mais de 10% em 30 dias.

A entrada líquida de recursos estrangeiros na B3 em janeiro foi a maior em 11 anos para o mês, com saldo de R$ 9,549 bilhões. Esse volume no acumulado do ano já foi reduzido para R$ 2,508 bilhões na contabilidade da B3 até terça-feira passada, quando os não-residentes retiraram R$ 93 milhões no pregão.

Em março, as saídas somam R$ 2,8 bilhões. "Enquanto os estrangeiros continuarem vendendo, a bolsa não vai andar", disse um operador, lembrando que as compras dos investidores locais não fazem frente para a força dos não-residentes que saem da bolsa brasileira mostrando cautela com relação à piora do cenário externo. Muito embora os eventos externos mexam com o humor desses investidores, para profissionais do mercado de renda variável hoje eles ficaram em segundo plano na sessão de negócios em razão das questões corporativas locais.

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Entre as blue chips, o setor bancário seguiu amargando queda, à exceção do Itaú Unibanco PN, que conseguiu leve recuperação das fortes perdas dos dois últimos pregões (+0,47%). 

Câmbio. Um movimento de aversão ao risco nos mercados globais manteve o dólar em alta consistente ante o real durante toda a sessão de negócios desta quinta-feira. Os temores em torno da postura protecionista nos Estados Unidos e a cautela antes da decisão de política monetária do país foram dois dos principais fatores a incentivar posicionamentos mais conservadores, com investidores reduzindo a exposição aos países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil. As batalhas envolvendo Estados Unidos e Rússia, em meio a sanções e investigações, foram outro motivo de cautela.

"Foi um dia clássico de aversão ao risco. Os assuntos que estão em discussão, principalmente no que diz respeito ao protecionismo, acertam os países emergentes na veia. Por isso que vimos uma queda generalizada dessas moedas", disse Bruno Foresti, gerente de câmbio da corretora Ourinvest. 

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Para o gerente, a possibilidade de o dólar superar o teto psicológico dos R$ 3,30 nos próximos dias não necessariamente será duradoura, uma vez que o quadro americano ainda é de bastante indefinição. Internamente, ele vê um cenário bem equacionado no curto prazo, com o Banco Central promovendo a rolagem integral de vencimentos de swap cambial, inclusive oferecendo hedge para o período eleitoral, cujo potencial de criar volatilidade é significativo.

José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, recomendou atenção ao nível dos R$ 3,30, "nível que, se rompido, poderá gerar algum nervosismo no mercado". Quanto à reunião do Federal Reserve, nos próximos dias 20 e 21, ele ressalta que a expectativa é de uma elevação das taxas dos Fed funds, mas que o interesse dos mercados deverá estar nas novas projeções do BC dos EUA e na coletiva de imprensa de Powell.

Nos Estados Unidos, os temores giraram em torno de especulações sobre a continuidade das medidas protecionistas dos EUA, que poderiam incluir a imposição de tarifas a produtos chineses no valor de US$ 60 bilhões. Ontem, o governo americano informou que deseja reduzir o déficit comercial com a China em US$ 100 bilhões. 

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À tarde, o humor dos investidores em Nova York foi afetado por um relato de que a Justiça americana intimou empresas do presidente Donald Trump a entregar documentos sobre a Rússia pelo conselheiro especial Robert Mueller, que lidera as investigações da suposta interferência do Kremlin na eleição de 2016. 

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