Bolsa já acumula perda de mais de 10% no ano

Só nesta quinta-feira, a queda foi de quase 3%. Dólar teve terceiro dia de alta consecutiva

17 Janeiro 2008 | 18h23

Depois de um dia de oscilações, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa de 2,96%. No pior momento do dia, a queda foi de 3,48%, mas enquanto esperava a fala do presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, as ações chegaram a subir 1,47%. O dólar comercial encerrou o dia em alta pelo terceiro dia consecutivo. No fechamento dos negócios foi vendido a R$ 1,7870, em alta de 0,79%.   Veja também: Bush anunciará detalhes de plano de ajuda à economia amanhã Discurso de Bernanke não anima mercados e Bovespa cai 3% Merrill Lynch tem prejuízo de US$ 9,83 bi no 4º trimestre  Entenda a origem da crise dos Estados Unidos        O discurso de Bernanke foi bom, segundo analistas, mas não provocou reações positivas, já que não trouxe nenhuma novidade. Em sua reunião com o comitê orçamentário do Congresso americano nesta quarta-feira, Bernanke apoiou a introdução de medidas de emergência para estimular a economia e para evitar a recessão no país. Ele também deu seu apoio à medidas como cortes de impostos, mas alertou para a necessidade de um plano de ação temporária.   Bernanke também indicou que o Fed poderia cortar a taxa de juros, "se for necessário". O Fed já cortou a taxa de juros três vezes desde o meio do ano. O corte mais recente foi em dezembro e, atualmente, a taxa de juros nos Estados Unidos está em 4,25%.   Depois do fechamento dos negócios no Brasil, os investidores receberam a informação de que o presidente norte-americano, George W. Bush, dará os detalhes de seu plano para estimular a economia dos EUA na sexta-feira, 18. De acordo com a Casa Branca, Bush, que discutiu idéias de estímulo com líderes do Congresso esta tarde, vai defender medidas "temporárias e efetivas" para impulsionar a economia.   Mais cedo, o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto havia dito que não vê razão para que um pacote de estímulo econômico não seja rapidamente aprovado, negando qualquer divergência profunda entre o governo republicano e a liderança democrática no Congresso.   Mesmo com um cenário de turbulência no mercado financeiro, o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que o Brasil deve crescer 5%. Segundo ele, hoje o País está em um período de saída de dólares, mas isso deve ser considerado um "movimento natural", já que está acontecendo no mercado de ações.   Depois da pequena entrada de capital externo de R$ 54 milhões no dia 14, a primeira do ano, a Bovespa voltou a apresentar saída de recursos no dia 15, de R$ 483,237 milhões. Com isso, o saldo negativo acumulado em 2008 já alcança R$ 2,304 bilhões.   Dados americanos chamam atenção   O dia começou com a divulgação de um balanço ruim do banco Merrill Lynch. Os números assustaram os investidores. No quarto trimestre, o banco apresentou prejuízo de US$ 9,83 bilhões , equivalente a US$ 12,01 por ação, quase três vezes mais que o previsto pelos analistas (US$ 4,57 por ação).   Depois dessa divulgação, os mercados reagiram de forma negativa, mas pouco depois outro dado divulgado nos Estados Unidos reverteu em parte o pessimismo. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana encerrada em 12 de janeiro recuou em 21 mil. Analistas esperavam, em média, alta de 18 mil.   Com a queda da última semana, o número de pedidos caiu para o menor nível desde 22 de setembro de 2007. Ou seja, o mercado de trabalho norte-americano não está tão ruim quanto se esperava, o que diminui um pouco o temor em relação a um desaquecimento da economia norte-americana.   Mas, em seguida, divulgação de outro dado ruim. O Departamento do Comércio informou que o número de novas construções despencou 14,2% em dezembro para a taxa anual de 1,006 milhão - menor nível em 16 anos. Economistas previam uma queda mais modesta, de 5%. Esta informação sinaliza o contrário do mostrado pelo mercado de trabalho nos EUA.   O fato é que neste momento de incertezas todos os dados da economia norte-americana ganham relevância, já que os investidores querem ter certeza da dimensão da crise e dos efeitos das perdas no mercado imobiliário de risco sobre outros setores da economia.    

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