Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Bolsa tem recuperação e sobe 1,69%; dólar cai para R$ 3,25

Depois das turbulências da véspera, tensão nos mercados diminuiu; analistas reforçaram discurso pró-reformas

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 17h28

A Bolsa fechou em alta nesta sexta-feira, 19, em um movimento de recuperação após a perda de 8,8% vista na véspera. A delação dos executivos da JBS, que inclui uma denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, continua provocando a apreensão dos investidores. A tensão, porém, diminuiu no pregão de hoje e o Índice Bovespa fechou em alta de 1,69%, aos 62.639,30 pontos.

O dólar também passou por correção e devolveu parte da alta vista no dia anterior, também de mais de 8%. Hoje, a moeda encerrou os negócios cotada a R$ 3,2521, em baixa de 3,98%.

 

 

 

Os negócios no mercado financeiro estavam sendo guiados principalmente pela perspectiva da aprovação das reformas trabalhista e da Previdência no Congresso. Agentes do mercado, no entanto, reforçaram o discurso pela necessidade das mudanças, ainda que considerando um atraso na tramitação.

AO VIVO: Veja as repercussões da denúncia

Para o economista-chefe do banco UBS Brasil, Tony Volpon, o melhor que poderia acontecer para o País, neste momento, seria "uma rápida e definitiva refutação das acusações" envolvendo Michel Temer.

"Na visão do banco, a questão importante será quando, e não como, o estado atual de incerteza política aguda será resolvido", explicou Volpon, em nota endereçada aos operadores do mercado.

JBS confirma movimentações cambiais, que classifica como política de gestão de riscos

Ainda segundo Volpon, o banco UBS vê como "menos amigável" o cenário de renúncia do presidente, mas com a manutenção da equipe econômica, o que daria uma forte mensagem de que o governo continuará trabalhando para aprovar as reformas econômicas, tanto a trabalhista quanto a previdenciária. 

O futuro das reformas também ocupa as preocupações do economista-chefe do banco BTG Pactual, Eduardo Loyo. Em uma palestra no segundo dia do XXIX Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, Loyo disse que o choque político é "significativo", mas tem "vetores mutuamente contraditórios". Por um lado, afirmou, a depreciação do câmbio tende a elevar a inflação. De outro, o adiamento das reformas diante da crise política pode arrefecer a recuperação da atividade econômica e minar a confiança.

Por reformas, Temer deve trabalhar pessoalmente para recompor base

Citando a coluna do jornalista Fernando Dantas publicada no Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Estado, Loyo disse que os mercados de ações, juros futuros e câmbio deram na quinta-feira uma demonstração do que seria o Brasil sem reformas, cenário que parece colocado pelo choque político. "Não é nem que a gente precisasse (de demonstração)", disse Loyo, lembrando que os mercados refletiam isso há pouco mais de um ano.

Mais conteúdo sobre:
JBS Michel Temer

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.