Bolsa fecha em máxima histórica com prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud

Diante de uma visão mais otimista em relação à política brasileira, Ibovespa sobe 1,70% e alcança 74.319 pontos nesta segunda-feira, 11; dólar à vista fechou em alta de 0,39%, aos R$ 3,10

Karla Spotorno e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 10h42
Atualizado 11 Setembro 2017 | 22h55

Impulsionada pela prisão do empresário Joesley Batista e pelo consequente cenário favorável ao governo de Michel Temer, a Bolsa atingiu um patamar histórico nesta segunda-feira, 11, com o Ibovespa – seu principal índice – ultrapassando pela primeira vez a casa dos 74 mil pontos. O índice subiu 1,7% e fechou em 74.319 pontos. Até então, o recorde era de 73.516 pontos, registrado em 2008.

A leitura do mercado é que a prisão de Joesley, aliada à saída do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, do cargo no fim desta semana, enfraquece a possibilidade de uma segunda denúncia contra Temer, que poderia ameaçar o governo. Com a permanência de Temer, crescem as expectativas de que a reforma da Previdência sairá este ano – ainda que menos ambiciosa que a proposta original.

A colaboração do ex-ministro petista Antonio Palocci com a Lava Jato também alavancou o Ibovespa, segundo o professor de estratégia financeira do Ibmec Paulo Azevedo. “O acordo (do político com a Justiça) reduz as chances de uma candidatura de Lula em 2018, e o mercado financeiro prefere um governo de direita”, diz.

Do lado econômico, a Bolsa se beneficiou dos indícios de que o pior da crise já passou e da queda dos juros – na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, a taxa básica de juros, pela oitava vez consecutiva, a 8,25%. “Os juros mais baixos desviam os investimentos da renda fixa para a variável”, diz o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria.

A diretora da consultoria MB Associados Tereza Fernandez lembra também que, com a redução da Selic, as empresas precisam de um volume de recursos menor para o pagamento dos juros da dívida. Há ainda, segundo os economistas, um fator externo: o mundo continua com grande liquidez e com apetite a risco, já que os países ricos estão pagando taxas de juros baixas. Nos EUA, por exemplo, os juros básicos estão entre 1% e 1,25%. Ontem, os índices das bolsas americanas avançaram mais de 1%.

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Futuro. As estimativas das consultorias indicam que a Bolsa continuará sua tendência de alta, mas numa velocidade menor. A XP Investimentos projeta um crescimento de 15% – em um cenário base – até o fim de 2018, com o Ibovespa atingindo 85,2 mil pontos. Em sua estimativa mais otimista, a corretora aposta em 90,8 mil pontos, o que significaria uma elevação de 22%. No acumulado deste ano, a expansão foi de 23,5%.

“Por enquanto, o clima é positivo. Mas talvez isso não vá muito longe. Ano que vem tem eleições e aumenta a volatilidade política”, destaca Campos.

O economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, projeta um Ibovespa de 77 mil pontos até dezembro deste ano. “A Bolsa está claramente em uma tendência primária de alta e não deve mudar tão cedo”. Bandeira faz apenas uma ressalva para a possibilidade de o governo falhar com o avanço das reformas. “Se o governo não tocar direito isso, vai ficar complicado.”

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Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimento, a euforia na Bolsa indica que o mercado não está atento às questões estruturais do País, já que a economia ainda está frágil e a dívida pública é crescente. Perfeito destaca que o crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre se deu sobretudo pelo aumento do consumo das famílias impulsionado pela liberação dos recursos das contas inativas do FGTS.

O analista da XP Investimentos Marco Saravalle admite que os investidores estão olhando principalmente para “a metade cheia do copo”, como a privatização da Eletrobrás. “No curto prazo, o mercado vem perdendo o foco com as preocupações.”/ COLABORARAM ANA LUÍSA WESTPHALEN E PAULA DIAS

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