Toru Hanai/Reuters
Toru Hanai/Reuters

Bolsas da Ásia operam em queda com política americana no radar

Os mercados também estão atentos à perspectiva de elevação de juros por parte de grandes bancos centrais

Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2018 | 02h22

SÃO PAULO - Acompanhando o movimento baixista de Nova York, os mercados acionários asiáticos operam em forte queda nesta sexta-feira, 9, à medida que os investidores monitoram a possibilidade de uma paralisação do governo dos Estados Unidos e mantêm no radar a perspectiva de elevação de juros por parte de grandes bancos centrais. À 1h45 (de Brasília), a Bolsa de Tóquio caía 2,75%; Xangai cedia 4,12% e Seul perdia 1,76%.

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O movimento de correção nas bolsas de valores teve início na sexta-feira da semana passada, quando o relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou uma aceleração na subida dos salários, gerando temores de que a inflação voltará a subir neste ano no país.

Nesta quinta-feira, os agentes em Nova York reagiram à fala do presidente da distrital de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), William Dudley, de que a precificação dos mercados sobre o aperto monetário a ser empregado pelo Fed é "apropriada" e comentou que o avanço nos rendimentos dos bônus está colocando pressão nas ações.

Não por acaso, no mesmo momento em que as bolsas caíam na Ásia, os juros dos títulos do Tesouro americano mostravam avanço: o retorno da T-note de 10 anos avançava para 2,834% e o juro do T-bond de 30 anos subia para 3,141%, com expectativas de taxas de juros mais elevadas no futuro.

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"Os mercados estão tentando digerir a perspectiva de aumentos nas taxas de juros à medida que a inflação volta à cena", comentou o gerente de portfólio da OM Financial em Wellington, Stuart Ive. Para ele, "qualquer aposta unidirecional, como as ações estão em forte alta desde 2009, chega um ponto em que o jogo muda. Parece ser agora."

O economista-chefe do Deutsche Bank, David Folkerts-Landau, disse esperar que a turbulência nos mercados continue alta neste ano, uma vez que os declínios nas ações e a volatilidade se tornam mais comuns na sequência do aumento das taxas de juros. Além disso, "mais volatilidade não deve descarrilar a expansão econômica global", na avaliação do banco alemão.

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Além das taxas de juros, os movimentos políticos em Washington continuam vistos pelos investidores em solo asiático. Apesar de um acordo firmado entre o líder republicano no Senado dos EUA, Mitch McConnell, e o líder democrata, Chuck Schumer, para financiar o governo de Donald Trump em mais dois anos, os congressistas não mostraram apoio total à medida, fazendo com que uma paralisação da máquina pública americana se aproxime. Não por acaso, o rendimento da T-note de 2 anos caía para 2,105%, na mínima, por volta de 1h45.

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