Bovespa pode fechar 2002 em alta de 30%

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) deve fechar o próximo ano entre 17 mil pontos e 18 mil pontos, numa alta de cerca de 30%, segundo analistas do mercado. Dessa vez, as principais preocupações estão focadas na economia dos Estados Unidos. Para a maioria dos especialistas, a recessão americana deve começar a ceder entre o segundo e o terceiro trimestres de 2002. A Bovespa antecipa esses movimentos", comentou o gestor de renda variável do JP Morgan Fleming Asset Management, Eduardo Favrin. Segundo ele, há grandes volumes de recursos esperando para serem destinados a locais com rentabilidade maior. "O Brasil vai ser influenciado positivamente pela diminuição no grau de aversão ao risco dos investidores." Na opinião do diretor de investimentos do ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa, os Estados Unidos estão com uma política fiscal equilibrada e "fazem o dever de casa no que diz respeito aos juros". Os analistas, porém, admitem que 2002 será um ano de complexidades e riscos potenciais. Além dos Estados Unidos, eles continuam citando a Argentina como fator de contágio. "O risco Brasil ainda não se descolou do argentino", disse o diretor de investimentos do Dresdner Asset Management, Luiz Neves. A analista-chefe da Fator Doria Atherino Corretora, Lika Takahashi, inclui ainda o Japão, "que enfrenta recessão há dez anos e está com déficit público." As eleições brasileiras no final do ano também mereceram destaque. "Haverá volatilidade no mercado", comentou Neves, do Dresdner, para quem as especulações "não serão determinantes na precificação dos ativos em bolsa". Nos últimos anos, os analistas têm se equivocado nas projeções para a Bovespa e a realidade sempre fica aquém do calculado. A projeção para este ano, feita em 2000, foi de uma alta de cerca de 30% - algo entre os 20 mil pontos - para a Bovespa. Para Lika, da Fator, os analistas subestimaram a piora do cenário externo. "Naquela época, ninguém trabalhava com uma explosão da crise argentina e o País tinha acabado de fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", acrescentou Favrin, do JP Morgan. "No decorrer do ano, todas as projeções foram revertidas e, como se não bastasse, houve o atentado aos Estados Unidos e o racionamento de energia."

Agencia Estado,

27 Dezembro 2001 | 09h38

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