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Sérgio Castro/Estadão

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Delação de Delcídio influencia Bolsa, que fecha em alta de 5%; dólar cai e vai a R$ 3,81

Notícia de que o senador teria citado Dilma na Lava Jato reforça percepção do mercado de que o cerco se fecha para o governo

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Paula Dias,
O Estado de S. Paulo

03 Março 2016 | 11h07
Atualizado 03 Março 2016 | 18h33

SÃO PAULO - O cenário político foi o combustível da alta da Bovespa e da queda do dólar nesta quinta-feira. O Índice Bovespa renovou máximas ao longo do dia, respondendo aos desdobramentos do acordo de delação premiada de Delcídio do Amaral (PT-MS), e fechou em alta de 5,12%, aos 47.193,39 pontos. O dólar à vista recuou 2,07%, e fechou cotado a R$ 3,8102, menor valor desde 10 de dezembro de 2015.

Entre as maiores altas do Ibovespa estão os papéis da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Gerdau. As ações da petroleira subiram 12,47% (ON) e 15,40% (PN), enquanto os da metalúrgica tiveram alta de 15,20%. O movimento altista aconteceu em um dia de forte giro financeiro, com estrangeiros na ponta compradora. Assim como ocorreu no pregão de ontem, o que se observou hoje é um movimento de zeragem de posições vendidas, segundo um operador ouvido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Após a notícia de que o senador Delcídio fez delação premiada, a presidente Dilma Rousseff se reuniu emergencialmente com ministros para definir as estratégias do governo. No fim da tarde, foi divulgada uma nota na qual a presidente afirma repudiar o uso de vazamentos como arma política. A oposição também aproveitou o momento para traçar novos planos na direção do afastamento de Dilma. Após uma hora de reunião, partidos de oposição na Câmara e no Senado anunciaram que farão um aditamento ao pedido de impeachment da presidente Dilma na próxima segunda-feira. A oposição pretende mostrar que houve ingerência da presidente Dilma nas investigações da Operação Lava Jato e que isso a impede de seguir na presidência da República. 

Citado na delação premiada de Delcídio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se defendeu há pouco, por meio de nota divulgada pelo Instituto Lula. A nota afirma que Lula jamais participou de ilegalidade. “O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo”, afirmou o Instituto Lula.

A reação positiva do mercado é justificada pela percepção predominante entre os investidores de que o avanço das delações premiadas aumenta as chances de um afastamento da presidente Dilma Rousseff, o que em tese abriria espaço para a resolução do impasse político que trava o avanço do País na busca pelo ajuste fiscal.

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