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BR Partners abre unidade de reestruturação de dívida

GUILLERMO PARRA-BERNAL - REUTERS

29 Agosto 2014 | 19h 53

A BR Partners Banco de Investimento está abrindo uma unidade de reestruturação da dívida corporativa, num momento em que a recessão eleva custos dos empréstimos e a deterioração da confiança no Brasil prejudica vários setores, disseram os executivos da empresa nesta sexta-feira.

     Para a BR Partners, fundada em 2009 pelo ex-Goldman Sachs Ricardo Lacerda, o movimento faz sentido porque reestruturação de dívida se encaixa em algumas das especialidades da empresa, como fusões e aquisições e consultoria para reestruturações.

     A divisão será chefiada por Claudio Kier Citrin, ex-FleetBoston e Citigroup, disse Lacerda. A unidade de reestruturação permitirá à BR Partners trabalhar em casos de refinanciamento e de moratória da dívida, disse Andrea Pinheiro, sócia sênior da BR Partners.

"Oferecemos uma plataforma maior e melhor do que as butiques, podemos fazer tarefas mais complexas, como captação de recursos, e nos manter independentes e livres de quaisquer conflitos de interesse", disse Citrin.

     A crescente cautela entre bancos privados, com a economia entrando em recessão no segundo trimestre, dificulta para algumas empresas o refinanciamento de empréstimos existentes ou a obtenção de novos. Citrin não quis destacar setores ou clientes específicos, mas disse que "a unidade ficou mais movimentada."

     Banqueiros têm apontado para o fim de um longo ciclo de crédito que durou cinco anos, e o recente início de uma fase de refinanciamento, razão pela qual companhias dos setores de açúcar, agricultura, equipamentos de petróleo e gás e empresas industriais estão buscando reorganizar suas dívidas. Com a economia brasileira em dificuldades, uma enxurrada de renegociações parece inevitável em alguns setores.

     Com taxas de juros se aproximando do pico em três anos, as empresas desses setores estão tentando reduzir suas dívidas. Para isso, estão contratando consultores independentes como a BR Partners ou butiques de banco de investimento, que podem ajudar a minimizar os custos associados com o refinanciamento e trabalhar para melhores condições para reembolsar credores.

     Empresas de açúcar e etanol, da indústria e de energia estão incorrendo em gastos extras quando pagam os empréstimos, arcando com uma sobretaxa de 2 a 3 por cento do valor da dívida, de acordo com pesquisa realizada pela empresa de consultoria financeira Mark 2 Market.

A falta de conhecimento sobre como os contratos bancários também trabalha contra eles, aumentando os custos do serviço da dívida.

((Tradução Redação São Paulo; + 55 11 5644-7712))

REUTERS AAP LB