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Economia

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Bradesco cancela capitalização de R$ 3 bi

Decisão, segundo o banco, foi motivada pela volatilidade dos mercados de capitais

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Aline Bronzati,
O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2016 | 21h41

O Bradesco decidiu cancelar o aumento de capital de R$ 3 bilhões já aprovado em assembleia no ano passado. Segundo fontes de mercado, a decisão foi motivada pelo risco de diluição dos acionistas no preço atual das ações. Na avaliação de analistas, o cancelamento pode reacender preocupações, levantadas após a compra do HSBC, em relação ao índice de Basileia do banco, que mede quanto a instituição pode emprestar sem comprometer o seu capital.

Apesar de as ações preferenciais do Bradesco terem subido 4,87% após o anúncio, os papéis acumulam queda de mais de 30% em 2016, afetados pelo ambiente macroeconômico e pelos resultados do setor bancário, que corre o risco de ver seu lucro encolher pela primeira vez em décadas. Considerando a cotação do dia do anúncio do aumento de capital, em novembro do ano passado, os acionistas iriam subscrever as ações a preços mais baixos: as ordinárias com valor 16% inferior e as preferenciais, com 17%, não diluindo, assim, o restante da base.

Com a desvalorização dos papéis, porém, os demais acionistas seriam afetados. O preço indicado na operação era de R$ 19,20 por ordinária e R$ 17,21 por preferencial ante R$ 22,87 e R$ 20,79 no dia do anúncio, respectivamente. Nesta terça-feira, 2, os papéis fecharam em R$ 19 e R$ 17,85, respectivamente. “A decisão decorreu da volatilidade dos mercados acionários nacional e internacional, com impactos no preço de cotação das ações na Bolsa de Valores”, diz o Bradesco em comunicado.

No aumento de capital, que ia elevar o total para R$ 46,1 bilhões, seriam emitidas 164.769.488 novas ações. O objetivo do banco, conforme anúncio na época, era reforçar sua capitalização frente ao seus investimentos e crescimento de suas atividades, mantendo-o em níveis adequados.

Mudança de regra. Analistas do Credit Suisse criticaram o fato de o banco ter mudado as regras no meio do jogo. “Diluição no preço atual não faria muito sentido, enquanto várias empresas fazem recompra de ações. É um sinal ruim a mais de falta de previsibilidade”, acrescenta.

Em relação às preocupações com o nível de capitalização do Bradesco, o Credit Suisse destaca, em comentário ao mercado, que o cancelamento do aumento de capital pode retomá-las. Outros analistas que preferem não se identificar acreditam que a melhora do índice de Basileia no último trimestre de 2015 pode ter pesado na decisão do banco de desistir da operação. O indicador fechou dezembro em 16,8%, aumento de 2,3 pontos porcentuais em relação a setembro, quando estava em 14,5%.

O Bradesco informou, na semana passada, que superou as previsões de lucro no quarto trimestre, apoiado em maiores receitas com juros, seguros e tarifas, além de rígido controle das despesas, compensando com sobras o aumento da inadimplência e das provisões para calotes. O segundo maior banco privado do País teve lucro líquido de R$ 4,3 bilhões no período, uma alta de 9% em relação ao mesmo período de 2014. No ano passado, o banco lucrou R$ 15,08 bilhões – crescimento de 14% na comparação com o ano anterior.

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