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Brasil aceitou o jogo dos EUA no aço, diz ex-OMC

Na semana passada, autoridades indicaram ao Brasil que adotarão sistema de cotas para a entrada de aço importado sem restrição tarifária

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 04h05

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Pascal Lamy afirmou que o Brasil “aceitou o jogo dos Estados Unidos” em relação ao aço, o que é “natural” em processos como estes.

“É uma negociação e o Brasil aceitou o jogo de forma voluntária”, afirmou Lamy, que está em São Paulo para evento da Amcham.

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Na semana passada, autoridades dos EUA indicaram ao Brasil que adotarão sistema de cotas para a entrada de aço importado sem restrição tarifária.

A sinalização foi dada pelo secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, em reunião com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Na conversa, o americano reconheceu que o Brasil “não é um problema” para Washington na questão do aço e, por isso, terá o benefício.

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Em março, Washington impôs barreiras comerciais contra produtos siderúrgicos, mas depois voltou atrás em relação a alguns países, como o Brasil, que terão até o fim do mês para acertar novo modelo de comércio do aço com os EUA.

Guerra comercial. Lamy avalia que o risco de guerra comercial entre EUA e China existe, porém é limitado muito mais por causa da postura “racional” de Pequim que da forma como Washington conduz a política externa.

“Há forças dentro da economia dos EUA que veem uma guerra comercial como danosa para a economia americana. A segunda razão é porque os chineses são extremamente racionais e eles têm se comportado na direção de não haver uma escalada de tensões”, afirmou Lamy, em coletiva de imprensa ontem em São Paulo.

Lamy acredita ainda que a postura do presidente da China, Xi Jinping, de prometer uma maior abertura à economia global vem no sentido de tentar conter o ímpeto do homólogo americano, Donald Trump. “Trump parece ter gostado do que Xi prometeu na semana passada, de abrir o país”, comentou.

Na avaliação de Lamy, é incerto imaginar o que Trump anseia para o órgão: “Ainda não é possível saber o que Trump está buscando - se são vantagens comerciais específicas para os EUA ou se ele quer implodir a OMC, para voltar ao antigo modelo de negociações comerciais bilaterais. Essa é a grande questão.”

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