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Brasil ainda tem a maior taxa de juros do mundo

Jamil Chade e Márcia De Chiara - O Estado de S. Paulo

11 Março 2009 | 20h 40

Estudo mostra que média mundial é de 0,1% ao ano e metade dos países está com índice menor que a inflação

Nem mesmo o corte de 1,5 ponto porcentual na taxa básica de juros determinado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, foi capaz de tirar o Brasil da liderança do ranking dos países com maiores juros reais. De acordo com os cálculos da UPTrend Consultoria Econômica, com o corte de ontem, a taxa real brasileira é de 6,5% ao ano, levando-se em conta uma inflação projetada de 4,5% para 2009. O segundo lugar no ranking é ocupado pela Hungria, com taxa real de 6,2%; seguida pela Argentina e China, ambas com 4,3%, e na quinta colocação a Turquia (3,5%).   Veja também: Copom corta juro em 1,5 ponto percentual; Selic atinge 11,25% Para comércio, redução de juros foi 'tímida'  Taxa básica de juros da economia brasileira ainda é a mais alta do mundo em termos reais    "A crise econômica acelerou os cortes de juros mundo afora, mas como o Brasil insistiu até recentemente em manter as taxas num patamar elevado, o diferencial cresceu", observa o economista-chefe da consultoria, Jason Vieira. A média do juro de 40 países incluídos nesse ranking é de 0,1% ao ano, ou seja, uma taxa muito próxima de zero. Exatamente a metade dos países que compõem o ranking tem juros reais negativos.   Hoje, diante da primeira recessão global do período pós-1945, governos dos países ricos caminham para um cenário de emprestar dinheiro de graça. A adoção de taxas nominais cada vez mais próximas de zero ou juros reais negativos tem sido um esforço de bancos centrais de Estados Unidos, Europa e Japão, isto é de países desenvolvidos, para impulsionar as suas economias. A tendência começa a ganhar adeptos e influenciar outros bancos centrais.   O Banco Central da Inglaterra já tem as menores taxas em 300 anos. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve Bank cortou a taxa para uma margem de zero a 0,25%. O objetivo é estimular o consumo. Na Suíça, o Banco Central também deve reduzir hoje a taxa de juros de O,5% para 0,25%.   O Banco Central Europeu (BCE) já está com seus índices no nível mais baixo desde que foi estabelecido, há dez anos. Mas há quem defenda dentro da própria instituição que a queda continue. Em apenas três meses, a taxa do BCE caiu em 2,75 pontos percentuais, para 1,5%. Mas a pressão é para que o corte continue diante dos resultados decepcionantes do Produto Interno Bruto (PIB) europeu.   Membros do conselho do BCE, como Athanasios Orphanides e Mario Draghi, já defenderam novos cortes. Mas o presidente do banco, Jean-Claude Trichet, alertou que cortar para zero seria, na sua opinião, "muito inconveniente". Para Heiner Flassbeck, economista chefe da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, só políticas expansionistas hoje podem salvar a economia mundial de uma depressão. "Não há o risco de pressão inflacionária em nenhuma parte do mundo. Todos têm a capacidade de cortar taxas de juros", afirmou.   Trichet é mais cauteloso e alerta que há ainda alguns casos de pressões nos preços em alguns países emergentes. "Precisamos nos manter vigilantes", disse Trichet na segunda-feira. Na China, o governo deu indicações de que vai continuar cortando as taxas de juros. Mas não levará à zero para ter ainda margem de manobra, caso a economia sofra uma queda maior nos próximos meses.   HIPOCRISIA   Nesta quarta-feira, o economista Joseph Stiglitz apontou que os cortes de taxas de juros nos países ricos mostram a "hipocrisia" do sistema. "Há dez anos, quando a Ásia quebrou e outros países emergentes foram atingidos, como Argentina, Rússia e Brasil, o FMI disse a todos para elevar os juros e cortar gastos públicos. Hoje, Estados Unidos, Europa e Japão estão fazendo exatamente o contrário", disse.   Também nesta quarta, o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, afirmou que vê com bons olhos a ideia da política de juros zero. "Uma crise como essa ocorre apenas uma vez a cada cem anos". Mas há também quem diga que esse tipo de política pode não funcionar. Segundo a Canadian Centre for Policy Alternatives, taxas de juros de zero porcento não são suficientes para impulsionar as economias.   De acordo com os dirigentes da entidade, reduções dessa magnitude significam que o mundo ainda trabalha com mecanismos tradicionais de estímulo, mas a crise atual exige elementos novos. Outra questão em discussão pelos economistas é como sair de uma situação de não cobrar pelo dinheiro emprestado.

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