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Brasil apresentará à Argentina oferta de livre-comércio no setor automotivo

- Atualizado: 16 Fevereiro 2016 | 05h 01

Com a crise no Brasil, governo tenta abrir mercado no exterior e levará na quinta-feira uma proposta para liberar o comércio de carros e de autopeças com a Argentina

Monteiro acredita que há espaço para o comércio automotivo entre os dois países se fortalecer

Monteiro acredita que há espaço para o comércio automotivo entre os dois países se fortalecer

BRASÍLIA - O Brasil apresentará ao novo governo argentino de Mauricio Macri, em reunião em Buenos Aires na quinta-feira, uma proposta de acordo de livre-comércio no setor automotivo. “Caminhamos para o livre-comércio no setor automotivo dentro do Mercosul. As condições estão dadas”, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. Ele aposta na postura liberal do novo governo argentino para costurar a proposta. No ano passado, um acordo liberando o comércio automotivo foi assinado com o Uruguai.

O ministro disse que há espaço para que o comércio automotivo entre o Brasil e a Argentina possa se fortalecer, assim como em toda a região. Um acordo automotivo também foi assinado com a Colômbia em 2015. A estratégia brasileira é aumentar o acesso a mercados, principalmente nesse momento em que a taxa de câmbio no Brasil está mais favorável para os produtos brasileiros.

Para Monteiro, o aumento das exportações é a saída para as empresas enfrentarem a redução da demanda doméstica, que não deve se recuperar tão cedo. Ele avaliou que a balança comercial vai surpreender este ano e apresentar um resultado maior do que a previsão de US$ 35 bilhões de superávit.

Segundo o ministro, o setor automobilístico não tem outra saída a não ser aumentar as exportações. “Temos de combinar a questão de câmbio com ações da política comercial brasileira para melhorar as condições de acesso ao mercado.”

Resistência dos argentinos. A liberalização do comércio de veículos com a Argentina é uma agenda antiga que sempre enfrentou resistência do governo e dos empresários argentinos, que temem uma invasão de carros brasileiros. Monteiro diz, porém, que a Argentina tem vendido muitos veículos para o Brasil e o livre-comércio vai beneficiar os dois lados. “Um acordo de livre-comércio foi assinado no ano passado entre Brasil e Uruguai, um mercado muito menos expressivo e com uma indústria local menos forte do que a Argentina”, lembra.

O acordo automotivo entre Brasil e Argentina já foi prorrogado várias vezes, com cotas, toda vez que se aproximava a data fixada para que o livre-comércio entrasse em vigor. A última renovação ocorreu em 1.º de julho de 2015, com vigência de um ano. O acordo prevê um sistema “flex”, em que para cada dólar que a Argentina exporta ao Brasil em autopeças e veículos, sem incidência de impostos, pode importar 1,5 dólar em produtos brasileiros.

Oferta para a Europa. Na reunião com os argentinos, Monteiro também discutirá outro tema espinhoso: a troca de ofertas entre Mercosul e União Europeia para o início das negociações de livre-comércio. Há anos as negociações se arrastam. Seja por resistência do Brasil e da Argentina em abrir o mercado para produtos industriais europeus, seja por parte da UE, que resiste em derrubar barreiras a produtos agrícolas brasileiros.

Monteiro espera que a troca de ofertas - que indica os produtos e serviços que terão redução das tarifas de importação até chegar a zero - seja feita no primeiro semestre. O Brasil esperava fazer a troca de ofertas no ano passado, mas houve uma demora no fechamento da proposta do Mercosul, sobretudo por dificuldades impostas pela Argentina. Depois foi a vez dos europeus pedirem o adiamento para este ano.

Monteiro diz que uma reunião para fechar o cronograma deve ocorrer em março. 

“Não tenho dúvida nenhuma que dá para avançar para viabilizar os ajustes necessários à oferta aos europeus no primeiro semestre”, disse Monteiro, que, depois da Argentina, embarca no domingo para o México para tentar fechar a negociação de acordo que pretende ampliar de cerca de 500 para 2 mil produtos o livre-comércio bilateral.

Na reunião com os argentinos, também será discutida a reativação de uma comissão de monitoramento do comércio bilateral, temas fitossanitários e temas setoriais para acordos de lácteos, pêssegos e carne suína.

Ainda como estratégia para ampliar mercados, o ministro espera avançar nos acordos do Mercosul com Peru e Colômbia, que ficaram congelados nos últimos anos por causa de problemas setoriais. Ao final de 2017, a expectativa é que quase todo o comércio brasileiro com esses dois países esteja livre da tarifa de importação.

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