Brasil desperdiça 5% do PIB com burocracia

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, reconheceu hoje que a burocracia brasileira corrói 5% do PIB do País todo ano, porcentual que equivale a cerca de U$ 25 bilhões ou metade dos juros da dívida pública e privada. "Calculo, sem base econômica, que temos 5% do PIB desperdiçado em burocracia todo ano", disse o ministro, que participou do seminário "Desburocratizar para crescer", no Exame Fórum. Apesar de não contar com dados científicos para explicar essa perda anual, Furlan pode não estar muito longe dos números já que um estudo do Banco Mundial (Bird) mostra que a burocracia é um dos principais entraves que tem impedido o Brasil crescer e se desenvolver. O relatório "How do make Brazil the Country of the Present" constata que, entre 145 países pesquisados, o Brasil ocupa a 142ª colocação no que se refere a custos para demitir funcionários, superando apenas Serra Leoa, Laos e Guatemala, onde os custos são os maiores do mundo. De acordo com o Bird, o custo de uma demissão no Brasil representa cerca de 165 semanas de trabalho, enquanto que nos Estados Unidos é de somente oito. O estudo desse organismo multilateral de financiamento constata ainda que um empreendedor no Brasil demora 152 dias para abrir uma empresa, pouco menos do que no Haiti, Laos e Moçambique, onde leva mais tempo. Por causa disso, o Brasil ocupa a 141a posição, entre 145 estudados, no que se refere a facilidades para se abrir um negócio. O Bird atribui esse resultado à legislação municipal, principalmente, mais do que à burocracia federal ou estadual. Ainda segundo o Bird, um simples processo de disputa comercial no Brasil demora 566 dias para ser resolvido. "Só na Bolívia, Guatemala e Uruguai demora mais do que isso", explicou Simeon Djankov, do Bird, ao apresentar o relatório para cerca de 200 empresários. Excesso de burocracia O ministro Furlan reconheceu que a grande maioria das empresas sofre, de fato, com o excesso de burocracia e, pior, não conta com recursos para poder colocar velocidade no processo exigido pela legislação. "Essa luta é como a de reduzir custos, que são como unhas que crescem a cada dia. A burocracia é assim e vamos ser um País de primeiro mundo só quando tivermos reduzido a burocracia e tivermos custos de primeiro mundo", afirmou Furlan.

Agencia Estado,

23 Agosto 2004 | 11h55

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