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Brasil é 13º país mais empreendedor do mundo, diz pesquisa

Carolina Ruhman, da Agência Estado

17 Março 2009 | 14h 23

Considerando só os países do G-20, País ocupa a terceira posição, segundo o Global Entrepreneurship Monitor

O Brasil ficou em 13º lugar no ranking de empreendedorismo na edição de 2008 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada nesta terça-feira, 17, em São Paulo. A taxa de empreendedores em estágio inicial (TEA) do País ficou em 12,02%. Em primeiro lugar, ficou a Bolívia, com uma taxa de 29,82%. Em segundo, ficou o Peru, com 25,57%. Em 2007, o Brasil estava em nono lugar na lista. Um total de 43 países foi pesquisado pelo Instituto GEM.

 

Entretanto, a coordenadora do levantamento no Brasil, Simara Grecco, fez um alerta contra a comparação com base anual, evitando dizer que o País caiu da nona para a 13ª posição na relação. De acordo com Simara, houve uma mudança no número de nações pesquisadas entre 2007 e 2008, o que dificulta a confrontação nessa base.

 

Segundo ela, embora global, a sondagem é executada em cada país, individualmente, por institutos de estudo ou universidades. No Brasil, o estudo foi elaborado pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP).

 

Simara prefere o confronto do Brasil com os países-membros do G-20 (os mais ricos e os principais emergentes), que possuem um nível de desenvolvimento semelhante ou superior ao do País. Neste recorte, o Brasil ficou em terceiro lugar, abaixo apenas da Argentina, que obteve uma taxa de 16,5%, e do México, com 13,1%.

 

"O Brasil já passou pela fase de altas taxas de empreendedorismo, característica de países muito pobres, como Bolívia, Peru e Angola. Nós estamos no mesmo patamar do México, Chile e Uruguai", destacou o diretor-técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Luiz Carlos Barboza. O Sebrae é um dos parceiros na elaboração da pesquisa no País.

 

Barboza acrescentou que a taxa de empreendedorismo brasileira está também próxima das obtidas pelo Uruguai (11,9%), Chile (13,08%) e Índia (11,49%). O professor Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao comentar o levantamento, chamou a atenção para a correlação entre as taxas de informalidade e empreendedorismo, que, de acordo com dados do Banco Mundial (Bird), são lideradas pelo mesmo país, a Bolívia.

 

Pobreza

 

Néri destacou que uma taxa de empreendedorismo elevada pode ser um sinal de pobreza. Na pesquisa GEM, os Estados Unidos figuraram como exceção, apresentando um índice de 10,76%, o que o colocou em 16º lugar no rol.

 

A taxa de empreendedorismo brasileira, de 12,02%, ficou muito próxima da média histórica do País, de 12,72%. Conforme o gerente do Sebrae Ênio Pinto, o resultado revela estabilidade e indica que o empreendedorismo já faz parte da cultura brasileira.

 

Para ele, o destaque da pesquisa fica por conta da melhora na relação entre os empreendimentos por oportunidade e por necessidade, que ficou em 2 para 1. Isso indica uma melhora qualitativa no empreendedorismo, revelando que quem resolveu abrir um negócio no Brasil foi mais motivado pela identificação de uma oportunidade no mercado do que por uma demissão. Entretanto, o resultado do Brasil ainda ficou longe da relação observada nos EUA, de 6,86%, ou na França, de 8,35%.

 

Nascentes e novos

 

Outro destaque da pesquisa foi a diminuição da relação entre empreendedores nascentes - aqueles que ainda avaliam a abertura de um novo negócio - e os novos - os que abriram uma empresa recentemente.

 

Em 2001, 65% dos empreendedores eram nascentes, porcentual que diminuiu para 24% em 2008, o que indica que a maioria dos empreendedores de fato concretiza as intenções, abre um negócio e estimula o mercado de trabalho.

 

Por outro lado, gerente do Sebrae ressaltou que o empreendedorismo brasileiro ainda é fraco nas inovações. De acordo com o levantamento, 83,5% dos entrevistados acreditam que ninguém considera o seu produto novo.

 

Já 65% reclamam de ter muita concorrência e 85,7% chamaram a atenção para o fato de que as tecnologias usadas têm mais de cinco anos. Somente 3,3% dos empreendedores afirmaram que seus produtos são considerados novos ou desconhecidos pelos consumidores.

 

Os resultados divergem dos obtidos em outros países da América Latina, como o Chile, onde 36,4% dos empreendedores afirmam que seus produtos serão considerados desconhecidos para os consumidores. Na Argentina e no Uruguai, essa relação em 30% e no Peru, 29%.

 

Para Neri, da FGV, os resultados da pesquisa GEM mostram que o Brasil está se tornando um país mais formal do que empreendedor, chamando a atenção para o fato de que o sonho do brasileiro comum é ter um trabalho com carteira assinada.

 

No entanto, ele afirmou acreditar que esse cenário deve mudar. "No futuro próximo, isso vai se reverter em função da crise", apontou. Segundo ele, a crise financeira internacional deve provocar muitas demissões, dificultando a situação no mercado de trabalho. O "amortecedor" serão os pequenos negócios, que restarão como uma rede de proteção social para os trabalhadores recém-desempregados.