Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Brasil é paciente terminal e, sem apoio, Dilma tem dificuldade para responder, diz 'FT'

'Financial Times' afirma que a economia brasileira está 'uma bagunça' e que a presidente não consegue responder adequadamente à crise econômica sem apoio político

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

14 Setembro 2015 | 09h55

LONDRES - "Se o Brasil fosse um paciente de hospital, médicos da sala de emergência poderiam diagnosticá-lo como em um declínio terminal". É assim que começa o editorial "A terrível queda do Brasil da graça econômica" publicado na edição impressa desta segunda-feira, 14, do jornal britânico Financial Times. O texto diz que a falta de apoio político faz com que "seja praticamente impossível para Dilma Rousseff responder adequadamente à crise econômica". Sobre o enfraquecimento do ministro Joaquim Levy, o jornal diz que, sem ele, investidores teriam "visão sombria da capacidade do governo de endireitar as contas".

O jornal diz que a economia brasileira está "uma bagunça" diante de recessão esperada para 2015 e 2016, do déficit das contas públicas, do novo Orçamento com expectativa de saldo primário negativo e a consequente elevação da dívida pública. "Essa é a razão por trás da decisão surpresa da agência Standard & Poor's de rebaixar a nota brasileira", diz o editorial.

O FT nota, porém, que, apesar da piora da economia, a deterioração do quadro político é que deflagrou a decisão da S&P. A falta de popularidade e de apoio do Legislativo "faz com que seja praticamente impossível para Dilma responder adequadamente à crise econômica", diz o FT. O editorial nota que o Congresso atualmente está mais preocupado em salvar a própria pele das acusações levantadas pela operação Lava Jato. "O sistema político do Brasil sempre foi conhecido por ser podre. Agora, ele também não está funcionado".

O editorial diz que tantas incertezas econômicas e políticas aumentam cada vez mais a instabilidade e destaca os rumores sobre o trabalho do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Para o FT, o trabalho de Levy "tem sido minado por outros que acreditam erroneamente que o Brasil poderia voltar a gastar mais como maneira de acabar com os problemas".

Ao lembrar dos rumores sobre enfraquecimento do ministro, o editorial diz que a S&P pode enfraquecer Levy ainda mais. "Se ele sair, os investidores terão uma visão sombria da capacidade do governo de endireitar as contas públicas. Além disso, muito possivelmente, entrariam no difícil caminho financeiro que o Brasil já percorreu antes. A viagem foi ruim antes e poderia ser de novo agora".

Sobre a crise política, o FT diz que a renovação política no atacado poderia ser a solução. "Infelizmente, há pouca chance disso até as eleições programadas para 2018", diz. "Impopularidade é uma razão insuficiente para remover a senhora Rousseff: se fosse, Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente que estabeleceu as bases da agora desperdiçada estabilidade econômica, poderia não ter terminado o segundo mandato".

O FT diz que "conhecida por sua teimosia e ser cabeça-dura", a presidente insiste que não renunciará. "Também não há qualquer evidência de que ela, pessoalmente, tenha lucrado com o esquema fraudulento na Petrobras. É verdade que ela poderia ser acusada por outros motivos, como a contabilidade governamental incorreta". Mesmo assim, o editorial repete a avaliação já feita de que eventual saída de Dilma traria "um político medíocre" para substituí-la e cita Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.