Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Brasil está menos vulnerável, diz Ilan

Segundo presidente do BC, hoje o País vive uma situação capaz de absorver choques

Altamiro Silva Junior e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou em discurso ontem que o Brasil está menos vulnerável a choques externos e internos por ter amortecedores “robustos”. Em evento do Grupo Estado, o dirigente disse que o BC encara o momento atual de crise política com “serenidade” e ressaltou que a ampliação do prazo de validade da meta de inflação anunciada esta semana vai permitir juros menores de longo prazo.

“Hoje vivemos uma situação econômica capaz de absorver choques”, disse Ilan, destacando a melhora do balanço de pagamentos do Brasil e os US$ 375 bilhões das reservas internacionais. Além disso, o regime de câmbio flutuante garante a primeira linha de defesa do País e o BC atua ainda em outras frentes, como o programa de swap cambial. “Isso nos dá conforto para suavizar os choques que venham por aí. Não vai ter nenhum problema no funcionamento do mercado, nenhuma descontinuidade.”

Nas últimas semanas, desde a delação da JBS, o ambiente de crise política provocou aumento da incerteza na economia, observou Ilan. Como consequência, cresceram as dúvidas sobre o andamento das reformas e a implementação dos ajustes econômicos. Mesmo assim, o dirigente ressaltou que o BC encara o momento com serenidade. Ontem, Ilan afirmou que permanece no governo mesmo que haja troca de comando no Planalto.

O discurso de Ilan durou cerca de 40 minutos e o dirigente falou pela primeira vez das mudanças da meta de inflação, anunciadas anteontem. O governo reduziu o referencial para 4,25% em 2019 e 4% em 2020, além de ampliar o prazo de validade da meta para 3 anos. A experiência internacional mostra que outros mercados têm prazos longos para a meta, disse Ilan, citando Estados Unidos e Banco Central Europeu, onde não há uma data de validade.

Juros. Por isso, o Brasil também tentou ampliar o prazo de validade da meta, em vez de decidir a cada dois anos, o referencial agora vale para três anos. “Essa mudança pode parecer pequena, mas não é”, afirmou o presidente do BC, destacando que a decisão alonga o horizonte que as pessoas olham. Assim, com expectativas de inflação ancoradas em patamares mais baixos, a economia pode almejar juros de longo prazo mais baixos. “Se a meta é crível, ela faz o juro longo cair.”

A meta de inflação de 2020 foi fixada em 4% e o presidente do BC ressaltou que a mudança está sendo feita de forma “gradual, consistente e serena”. “Se fizéssemos algo diferente, elevaríamos as expectativas de inflação”, disse ele, destacando que isto é a última coisa que o BC quer. Já no caso de 2019, o novo referencial foi definido “exatamente onde as expectativas estavam”, que era de 4,25%.

Foram mudanças na política econômica nos últimos meses, durante o governo de Michel Temer, que criaram condições para a queda da inflação e permitiram a redução da meta, afirmou Ilan em seu discurso. Um dos fatores positivos mencionados foi a queda da taxa real de juros, quando se desconta a inflação. O indicador hoje está na casa dos 4,5%, o menor patamar que o País teve em décadas, apesar de ainda estar alto na comparação internacional. Nos anos 90, o juro real superou os 20%, caindo para a casa dos 10% na década seguinte.

Ilan destacou que a taxa básica de juros, a Selic, está em processo de queda, já recuou 400 pontos-base nos últimos meses e há a expectativa de reduções adicionais à frente. Sobre o cenário internacional, Ilan ressaltou que o ambiente continua sendo favorável para o Brasil. O capital segue migrando para mercados emergentes e as incertezas sobre eleições em países importantes se reduziram. “No entanto sempre tem riscos e não podemos assumir que o cenário vai ficar favorável para sempre.”

 

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