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Brasil fecha 104,5 mil empregos com carteira assinada em fevereiro

É o pior resultado para o mês desde 1992, quando começou a série histórica do Caged

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Rachel Gamarski,
O Estado de S.Paulo

22 Março 2016 | 15h20

Em meio à crise econômica, o Brasil terminou fevereiro com 104,5 mil postos de empregos formais a menos. Foi o maior fechamento de vagas para o mês em 25 anos, quando começou a série histórica do ministério do Trabalho.

Apenas no primeiro bimestre de 2016, o País já encerrou 204,9 mil vagas, segundo a série ajustada que inclui informações de contratações e demissões passadas pelas empresas fora do prazo. Ou seja, o número do bimestre contempla um ajuste nos dados de janeiro.

O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro veio pior que o esperado pelo mercado e mostra que a crise está forte, inclusive em setores nos quais ela demorou a aparecer, como comércio e serviços. 

“O movimento faz parte da inércia recessiva. As pessoas, que estão mais receosas, não compram, os empresários não vendem, os investimentos são postergados e não há contratações”, diz o economista da RC Consultores, Thiago Biscuola. Ele acredita que o auge do desemprego se dará em 2017. “Independentemente do cenário político, a retomada da confiança do consumidor, do empresariado e a entrada de capital externo demorará a acontecer”, ressaltou Biscuola.

 

A análise dos números do Caged feita de maneira dessazonalizada mostra que o quadro do emprego pode até ser pior do que o apontado. O levantamento conduzido pela Tendências Consultoria Integrada aponta que o fechamento de postos em fevereiro equivale a 186 mil vagas, o pior número para qualquer mês que se analise desde o início da série histórica, iniciada em 1999 para esse recorte.

“O resultado superou setembro do ano passado, quando o resultado foi negativo em 183 mil vagas”, afirma Thiago Xavier, economista da Tendências. 

A análise dessazonalizada é construída com base nos dados da série original do Caged. A diferença é que os características típicas de cada mês - como Natal e Ano Novo em dezembro, por exemplo - são descartadas. Dessa forma, a comparação mês a mês se torna possível.

Setores. O comércio foi o maior responsável pelo alto número de postos fechados em fevereiro: 55,5 mil vagas. É comum que o comércio feche mais postos do que abra neste mês por conta das dispensas que ocorrem com o final das festas de final de ano, mas este também foi o pior resultado da história do setor desde 1992.

“O comércio teve um fechamento de postos muito expressivo. Em vários anos, esses setor chegou a ter um saldo líquido positivo”, afirma Fábio Romão, economia da LCA Consultores. “Mesmo nos anos em que houve fechamento, não foi tão pronunciado. No ano passado, foram fechadas 30 mil vagas”, afirma Romão.

A construção civil, importante termômetro da atividade econômica, continua demitindo mais do que contratando pelo 17º mês consecutivo. Em fevereiro, a construção civil encerrou 17,1 mil postos de trabalho com carteira assinada.

Seguindo a tendência negativa, a indústria de transformação fechou 26,1 mil postos em fevereiro. Dentro do setor, todos os segmentos fecharam vagas, mas o movimento negativo foi liderado pela produção de alimentos e bebidas, que encerrou 12,4 mil vagas em janeiro. No acumulado do ano, a construção civil já encerrou 18,7 mil postos de trabalho. 

Outro setor onde predominaram as demissões foi o de serviços, que apresentou a retração de 9,2 mil vagas no mês. No acumulado do ano, o setor já conta com 27 mil postos fechados. Em fevereiro, os serviços de ensino e de serviços médicos e odontológicos foram os únicos a contratar, criando 32.072 e 1.136 respectivamente. As instituições financeiras encerraram 989 vagas no mês passado. 

Quase todos os setores demitiram mais do que contrataram em fevereiro. A exceção ficou com a administração pública, que contratou 8,5 mil pessoas a mais do que demitiu. No acumulado do ano, o setor está positivo com a criação de 8 mil vagas na série ajustada.

A agricultura é um dos poucos setores a apresentar resultado positivo no primeiro bimestre. De acordo com os dados do Caged, a agricultura abriu 4,8 mil vagas de trabalho. Ainda assim, como a maioria dos setores, a agricultura apresentou resultado negativo em fevereiro, fechando 3,6 mil postos no mês passado. / COLABORARAM LUIZ GUILHERME GERBELLI, SUZANA INHESTA E ANDRÉ ÍTALO ROCHA 

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