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Brasil pagará US$ 4,5 bi por caças suecos, até 2023

EDUARDO RODRIGUES E TÂNIA MONTEIRO - Agencia Estado

18 Dezembro 2013 | 18h 13

O ministro da Defesa, Celso Amorim, confirmou nesta quarta-feira, 18, que o governo escolheu o caça sueco Gripen para o projeto FX-2. Com isso, o Brasil irá adquirir 36 aeronaves de combate da Saab, que irá transferir a tecnologia dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). O objetivo é criar condições para que ao menos parte dos equipamentos sejam produzidos nacionalmente. "Nós iniciamos agora uma fase de negociação do contrato. A escolha foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas e levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custos não só de aquisição, como de manutenção. A escolha se baseou nesses três fatores", afirmou o ministro. Além da sueca Saab, também estavam na disputa os caças Rafale, da francesa Dassault, e as aeronaves Super Hornet F-18, da norte-americana Boeing.

Apesar de Amorim ter destacado que o contrato para a compra dos caças ainda será negociado, um documento da Aeronáutica lido na tarde desta quarta-feira em apresentação no ministério afirma que os investimentos no programa FX-2 são da ordem de US$ 4,5 bilhões, com um cronograma de desembolso que se estenderá até 2023. Segundo Amorim, a expectativa é de que a negociação leve entre 10 e 12 meses. "Então não terá impacto no orçamento do próximo ano", completou.

Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro Juniti Saito, a transferência de tecnologia será feita por meio de um processo de desenvolvimento conjunto entre a Saab e a Embraer. "Mas temos várias outras indústrias que se ofereceram para contribuir ao desenvolvimento do caça. Ao fim do desenvolvimento, teremos acesso a toda a tecnologia do avião", completou.

As novas aeronaves irão substituir os caças franceses Mirage, que se "aposentam" no dia 31 de dezembro deste ano. Na Força Aérea, o Gripen sempre foi considerado favorito porque, apesar de ter muitos componentes norte-americanos, é um projeto a ser desenvolvido em parceria conjunta com o Brasil. Na semana passada, segundo informações obtidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a presidente Dilma Rousseff teria mandado recado para o presidente francês François Hollande de que não desejava tratar deste assunto durante sua visita ao Brasil porque estaria insatisfeita com problemas na parceria para compra de equipamentos da Marinha. Da mesma forma, a presidente Dilma está muito insatisfeita com os Estados Unidos por causa da espionagem sobre ela e empresas do seu governo. Este fato praticamente enterrou a parceria com os norte-americanos.