GABRIELA BILO / ESTADAO
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Brasil poderá voltar ao grau de investimento, diz Fitch

A possibilidade de o País descer mais um grau na escala, segundo Peter Shaw, é a principal pergunta dos investidores em relação ao País

Aline Bronzati e Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 11h08

O Brasil está firmemente posicionado na categoria "duplo B" com perspectiva estável, de acordo com o head Latam da agência de classificação de risco Fitch Ratings, Peter Shaw. A possibilidade de o País descer mais um grau na escala, conforme ele, é a principal pergunta dos investidores em relação ao País, disse durante palestra no Summit Imobiliário, evento organizado pelo grupo O Estado de S. Paulo. Mas, embora ainda apresente fraqueza em suas finanças públicas, segundo Shaw, o País não está exposto à volatilidade externa e apresentou melhoras do ponto de vista da demanda doméstica.

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Em 26 de fevereiro, a Fitch rebaixou o IDR (Issuer Default Rating - Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moeda Estrangeira do Brasil para "BB-", de "BB", e revisou a perspectiva para estável, de negativa antes.

"O caminho do Brasil ao retorno do grau de investimento será longo, mas poderia ser acelerado com consolidação fiscal, estabilização do endividamento e um ambiente de atração de investimento, crescimento e ainda um ambiente mais estável do lado político”, afirmou Shaw durante o Summit Imobiliário Brasil 2018, promovido pelo Grupo Estado.

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O tempo que cada País leva para retomar o grau de investimento, contudo, varia, de acordo com Shaw. Em média, mais de 50% dos países rebaixados pela Fitch, segundo ele, nas últimas duas décadas conseguiram recuperar o selo de “bom pagador”. “Demorou em média seis anos, mas há uma variedade de prazo. Enquanto a Malásia e Coreia do Sul demoraram menos de um ano, países que sofreram com crises cambiais demoraram mais como a Colômbia, que levou 11 anos, e a Indonésia, 14 anos”, explicou.

Ele lembrou ainda sobre o rebaixamento ocorrido em fevereiro, que o Brasil foi o único dos países emergentes que perdeu o selo de bom pagador. A região, de acordo com Shaw, deve apresentar recuperação cíclica modesta neste e no próximo ano, impulsionada pela recuperação do preço das commodities.

Para o Brasil a Fitch espera crescimento de 2,5% do PIB este ano e melhora de 2,7% em 2019.

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