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Brasil precisa se ‘vender’ melhor

Governo busca atrair investidores árabes ao País para apostar em fronteiras agrícolas da região do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2015 | 05h00

O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas e de carne do mundo, não sabe “se vender” no mundo árabe. “O País tem um potencial enorme para expandir seus negócios na região, mas não explora essa capacidade”, afirmou ao ‘Estado’ Riad Naim Younes, vice-presidente de marketing da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).

O saldo da balança comercial para os países árabes (Oriente Médio e norte da África) foi positivo em US$ 2 bilhões em 2014, resultado de exportações de US$ 13,4 bilhões e importações de US$ 11,4 bilhões. A expectativa é manter o mesmo superávit este ano.

Entre os principais itens exportados para a região estão açúcar, carne e minério de ferro. Argélia, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são os maiores importadores desses produtos brasileiros.

O fim do embargo à carne brasileira para a Arábia Saudita poderá elevar os negócios para a região. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, participou no início do mês passado de uma missão aos países árabes para negociar a retirada do embargo e tentar atrair investidores árabes para o Brasil.

A ministra articula, para o início de 2016, uma série de visitas de investidores árabes na região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das últimas fronteiras agrícolas brasileiras.

Com escassez de recursos hídricos, os países árabes buscam, sobretudo, fazer investimentos agrícolas em países como o Brasil para garantir segurança alimentar. Diante desse cenário, Kátia Abreu quer atrair esses potenciais investidores interessados em plantio de grãos, irrigação, carne bovina e florestas.

Tradicional exportador de commodities, o Brasil poderia aumentar as exportações de produtos de maior valor agregado. Esse discurso, entoado como um mantra, é recorrente entre os empresários brasileiros há muitos anos, mas o País não consegue reverter essa situação.

Pouco marketing. Para Younes, da CCAB, as empresas brasileiras precisam ser mais agressivas para vender melhor o seu “peixe”. Exemplo disso foi o que ocorreu entre os dias 23 e 26 de novembro, quando o Brasil teve uma participação pálida na feira de construção civil Big 5, o maior evento do setor no Oriente Médio.

Com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), apenas seis empresas participaram do evento, entre elas Deca e Tramontina. “Esse é um evento que reúne todo ano investidores de todo o mundo, uma oportunidade para o País divulgar o seu negócio”, afirmou Younes.

Países europeus que passam por momento econômico turbulento, casos de Espanha e Grécia, por exemplo, tiveram uma participação mais pujante.

Para investidores, o Brasil também poderia rever sua política de tributação para aportes da região. “Como alguns países árabes são considerados paraísos fiscais pela Receita Federal, sofrem bitributação, o que inibe esses investidores ao País”, disse uma fonte.

Tributos. A Apex confirma que a bitributação pode ter impacto em certos investimentos no País. Mas, segundo a agência, fundos de venture capital (empresas estabelecidas de pequeno e médio portes) e de private equity (que compram participação em empresas), por exemplo, que possuem recursos alocados em outros mercados (não considerados paraísos fiscais), não sofrem bitributação.

De acordo com a Apex, fundos árabes com investimentos aplicados em Londres, por exemplo, não sofrem bitributação se esses recursos forem deslocados para o Brasil. Atualmente, a Apex-Brasil tem focado sua atuação para atrair Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Não há, contudo, ações específicas voltadas para a região do Oriente Médio e norte da África.

Como os investidores árabes costumam fazer investimentos mais significativos em participação de empresas com outros fundos do que em projetos “greenfield” (a partir do zero), a identificação da fonte do investimento por parte das fontes oficiais é mais difícil de ser feita.

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