Brasil 'rasteja' da recessão após safra de soja, diz Financial Times

Para o jornal britânico, turbulência política mantém o País em alerta para depressão

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2017 | 13h25

LONDRES - O jornal britânico Financial Times avaliou nesta quinta-feira, 1, que a economia brasileira se recuperou, no primeiro trimestre, de sua recessão mais profunda, mas analistas consultados pelo periódico alertam que a turbulência política significa que a maior economia da América Latina não está totalmente fora do perigo da depressão.

A reportagem foi feita após os dados oficiais mostraram que a atividade econômica cresceu 1% em relação ao trimestre anterior, marcando a primeira expansão trimestral na margem do Brasil após oito períodos consecutivos de contração.

O veículo enfatizou que o resultado foi impulsionado pelo setor agrícola - principalmente pela colheita de soja -, que cresceu 13,4% e que ainda houve queda na comparação com o mesmo período do ano passado, com contração de 0,4%.

Após citar alguns analistas brasileiros, a publicação salienta que, como ficou ligeiramente acima das previsões do governo, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) serão usados pelo presidente Michel Temer numa tentativa de fortalecer seu apoio.

"Sob a pressão de um escândalo de corrupção em que foi gravado supostamente discutindo subornos, Temer busca basear sua legitimidade na capacidade de seu governo de resgatar a economia brasileira da sua pior recessão na história", trouxe o FT.

O jornal ressaltou que os números conhecidos hoje não levam em conta o escândalo de corrupção que envolveu o presidente. "Os mercados de capitais e a moeda do Brasil agora se recuperaram, após um choque inicial estimulado por revelações do ex-presidente da processadora de carnes JBS, que secretamente gravou Temer supostamente discutindo sobre subornos", registrou o periódico em relação ao empresário Joesley Batista. A reportagem registra que o presidente negou o fato e que também negou renunciar ao cargo, apesar de apelos populares.

O Financial Times lembrou que, em entrevista a jornalistas brasileiros no início desta semana, o presidente afirmou: "chegaremos no final de 2018 com a casa em ordem". A questão, destacou a publicação, é que o escândalo torna nubladas as esperanças de uma recuperação econômica que está em construção. 

As preocupações dos investidores, diz o periódico, é a de que o seu então poderoso governo de centro-direita não consiga mais aprovar uma ampla reforma da Previdência Social, com mudanças altamente impopulares. "Isso é visto como chave para conter um déficit orçamentário de 9,2% do PIB."

A reportagem citou ainda que, na noite de quarta-feira, 31, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa de juros em um ponto porcentual para 10,25% ao ano, mas que o Comitê de Política Monetária (Copom) também sinalizou os "altos níveis de incerteza" do Brasil, indicando que um ritmo mais lento de cortes seria "adequado".

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