REUTERS/Eric Gaillard
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Brasil se tornará velho antes se tornar rico, diz Dyogo

Ministro do Planejamento usou audiência no TCU para defender necessidade de reforma da Previdência

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 11h54

BRASÍLIA - O Brasil enfrenta um processo veloz de envelhecimento da população e, sem mudanças, se tornará “velho antes de se tornar rico”, disse nesta quarta-feira, 18, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

“É para evitar isso (uma crise fiscal) que temos de enfrentar uma solução negociada (para a questão da Previdência)”, afirmou em audiência pública no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele defendeu a aprovação da reforma da Previdência.

“O risco de uma crise fiscal é que as pessoas em algum momento achem que o governo não vai pagar dívida”, ponderou o ministro, lembrando que todos estão expostos neste caso, seja porque pessoas físicas investem em títulos, seja porque fundos de investimento compram papéis do Tesouro Nacional.

Segundo Oliveira, se as pessoas ficarem desconfiadas sobre o investimento na dívida pública, uma monetização da economia levaria a um processo inflacionário associado e à recessão. “Precisamos evitar isso”, disse.

O ministro lembrou que a reforma da Previdência não afeta direitos adquiridos por quem já é aposentado ou pensionista, mas alertou que o tempo para que o Brasil faça mudanças sem comprometer esses direitos é curto. “A reforma deveria estar sendo defendida com unhas e dentes por aposentados e jovens”, disse Oliveira, lembrando que outros países cortaram benefícios.

“Estamos engajados para evitar retirada de direitos no Brasil, temos tempo. O teto deu confiança para que possamos tentar uma saída organizada dessa situação”, disse.

Oliveira ressaltou que o crescimento acelerado do déficit nos últimos anos se deve a indicadores que são positivos, como aumento de salários, da expectativa de vida e da formalização. “São positivos, mas o problema previdenciário é mais agudo também por esses fatores”, afirmou.

Segundo o ministro, devido ao crescimento das despesas com Previdência e à limitação imposta pelo teto de gastos, o governo terá que reorganizar suas políticas públicas, com a delegação de algumas funções para o setor privado.

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