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Brasil só deve recuperar a 6ª posição entre os maiores do mundo em 2015

Daniela Amorim, da Agência Estado

03 Setembro 2012 | 18h 26

Até lá, o Reino Unido mantém o sexto lugar e o Brasil permanece um passo atrás, em sétimo, segundo levantamento da Austin Rating  

RIO - O Brasil só deve recuperar a sexta posição no ranking das maiores economias do mundo em 2015. Até lá, o Reino Unido mantém o sexto lugar e o Brasil permanece um passo atrás, em sétimo, segundo levantamento da Austin Rating, preparado a pedido da Agência Estado. O estudo levou em consideração as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) tanto para a expansão do PIB quanto para o câmbio, de 2012 a 2015.

A economia brasileira cresceu menos do que o esperado em 2012, mas o câmbio teve um papel considerável na perda de posição do País no ranking das principais economias do planeta. Enquanto houve forte desvalorização do real frente ao dólar, a libra esterlina sofreu valorização em relação à moeda americana.

O cenário não deve se alterar até o fim do ano, a menos que haja uma inversão na tendência do câmbio ou que a economia brasileira cresça mais do que os 2,5% esperados pelo FMI, e a economia britânica fique abaixo dos 0,2% de expansão no ano.

"A diferença entre o PIB do Reino Unido e do Brasil é bem pequena, de US$ 2,929 bilhões. O FMI fará uma revisão nas estimativas no fim de setembro. O Brasil até pode manter a posição conquistada (a 6ª posição), mas desde que o câmbio mude ou que a previsão para o crescimento do Reino Unido também", calculou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, responsável pelo levantamento.

Agostini explica que o FMI estima uma desvalorização de 10% do real frente ao dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de 3,5% até 2015. Já para o Reino Unido, o FMI projeta uma valorização de 2% da libra esterlina sobre o dólar em 2012, seguida de uma desvalorização média de apenas 0,1% até 2015.

Paralelamente, o fundo estima um crescimento de 2,5% do PIB brasileiro em 2012, e de 0,2% para o Reino Unido no ano. "Nesse caso, os dados praticamente se anularam", contabilizou Agostini.

Escalada

Entretanto, para o período de 2013 em diante, enquanto a projeção do Brasil fica relativamente estável, em 4,1%, a estimativa de avanço no PIB para o Reino Unido sobe para 2,0% em 2013, 2,5% em 2014, e 2,6% em 2015.

"Ou seja, mesmo o PIB do Brasil subindo de 2,5% em 2012 para 4,2% em 2013, a perda da desvalorização da moeda nacional é maior do que a do Reino Unido. Além disso, o crescimento do Reino Unido aumenta de patamar até 2015, enquanto o Brasil fica estável em 4,1%", atentou o economista-chefe da Austin.

Em 2015, o PIB brasileiro alcançará US$ 2,872 trilhões, desbancando o PIB britânico, que a essa altura deve estar em US$ 2,851 trilhões.

"É como o tiro de largada de uma corrida de 200 metros. Quem explode larga na frente, mas quem guarda fôlego se recupera no final. O Brasil perdeu fôlego agora, em 2013 vai se afastar mais do Reino Unido, mas em 2014 diminuirá a diferença, para ultrapassá-lo em 2015", previu Agostini.