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Brasil tem 98 milhões de pessoas sem acesso à internet

País é o sétimo do mundo com mais pessoas offline; 60% da população mundial, ou cerca de 4,2 bilhões de pessoas, seguem desconectadas

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Altamiro Silva Junior, correspondente,
O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 08h53

NOVA YORK - A internet e as tecnologias digitais têm se ampliado rapidamente, mas 60% da população mundial, ou cerca de 4,2 bilhões de pessoas, seguem sem acesso à rede mundial dos computadores, afirma o Banco Mundial em um relatório divulgado nesta quarta-feira, chamado "Dividendos Digitais". O Brasil tem 98 milhões de pessoas que não têm acesso à internet, o sétimo país com mais pessoas offline.

A Índia, com 1 bilhão de pessoas, e a China, com 755 milhões, são os dois países do mundo em que mais habitantes estão sem acesso à internet, de acordo com o estudo. Considerando a internet de alta velocidade, apenas 15% da população mundial, ou 1,1 bilhão de pessoas, conseguem esse tipo de serviço. Pelo lado positivo, o Brasil é o quinto do mundo em número de usuários, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Japão.

"Nos encontramos em meio à maior revolução de informação e comunicação da história da humanidade", afirma o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, no estudo. Mas se as tecnologias digitais têm crescido rapidamente pelo mundo, o mesmo não se pode dizer sobre os benefícios desse avanço, ou os dividendos, como chama o relatório. "A internet continua indisponível, inacessível e fora do alcance econômico para a maioria da população mundial", afirma o documento.

Os benefícios do desenvolvimento digital, ressalta o texto, ficaram até agora abaixo do esperado. "Embora o número de usuários da internet no mundo tenha mais do que triplicado desde 2005, quatro bilhões de pessoas ainda carecem de acesso à rede". Além disso, o avanço e o acesso a essas tecnologias tem sido desigual ao redor do mundo. O estudo menciona que apenas 31% da população dos países em desenvolvimento tinham acesso à internet, em comparação com 80% nos países de renda alta, de acordo com dados de 2014.

Os autores do documento, Deepak Mishra e Uwe Deichmann, mencionam que os benefícios da rápida expansão digital estão sendo melhor aproveitados por "pessoas de maior renda, qualificadas e influentes". Para reverter esse quadro, o Banco Mundial avalia que a internet precisa ser "universal, economicamente viável, aberta e segura" e os governos têm ainda que reforçar as regulamentações que assegurem concorrência entre as empresas do segmento.

"O relatório constata que os desafios tradicionais ao desenvolvimento estão impedindo a revolução digital de realizar seu potencial de transformação", ressalta o documento. Para que mais pessoas tenham acesso à tecnologia, os governos precisam investir em melhorar do ambiente de negócios e a educação. O estudo cita que 20% da população do planeta não consegue ler e escrever.

Celulares. O estudo estima que 5,2 bilhões de pessoas no mundo possuem um celular. "Entre os 20% dos domicílios mais pobres, quase 7 de cada 10 têm telefone celular. É mais provável que as residências mais pobres tenham acesso a celulares do que a sanitários ou água potável", afirma o Banco Mundial. Mesmo assim, o documento chama atenção para o fato de 2 bilhões de pessoas ainda não terem o aparelho e cerca de 500 milhões estarem em áreas sem sinais das operadoras.

No leste da África, 40% da população adulta já faz pagamentos de contas, como as de energia elétrica, por meio do celular, afirma o Banco Mundial, ressaltando que o avanço do mundo digital ajuda a melhorar os serviços e o desenvolvimento econômico.

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