Rafael Neddermeyer/Fotos públicas
Rafael Neddermeyer/Fotos públicas

Dívida bruta dispara e atinge 73,9% do PIB

Segundo dados do Banco Central, País devia R$ 4,79 trilhões no mês passado; porcentual em relação ao PIB é o maior da série histórica

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 10h59

BRASÍLIA - Nem mesmo o pagamento de R$ 33 bilhões do BNDES ao Tesouro evitou que a dívida brasileira batesse novo recorde em setembro. Dados divulgados nesta segunda-feira, 30, pelo Banco Central mostraram que a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 4,79 trilhões no mês passado, o equivalente a 73,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o maior porcentual da série histórica, iniciada em 2006.

Entre 2009 e 2014, o BNDES havia recebido empréstimos do Tesouro, que eram financiados por meio da emissão de títulos. Isso fez com que a dívida bruta do governo geral - que reúne os governos federal, estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as estatais - subisse. Agora, com o pagamento de parte dessas operações ao Tesouro em setembro, os títulos são cancelados e a dívida bruta é reduzida.

No entanto, de acordo com os dados do BC, isso não foi suficiente para conter a escalada da dívida bruta. Isso porque o déficit primário (resultado das contas antes do pagamento dos juros da dívida) do setor público somou R$ 21,26 bilhões em setembro. O resultado foi melhor que o rombo de R$ 26,64 bilhões de setembro de 2016, mas mostra que o setor público segue com dificuldades para equilibrar receitas e despesas. 

“O pagamento de R$ 33 bilhões do BNDES ao Tesouro reduz a dívida, mas há uma série de outros fatores que implicam no aumento. O próprio déficit primário é fator de elevação da dívida”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, durante a apresentação dos dados. “Se não houvesse estes R$ 33 bilhões, a dívida bruta teria aumentado mais em setembro.”

A dívida bruta do governo é uma das principais referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. No limite, se ela subir muito, podem surgir dúvidas no mercado financeiro sobre a capacidade de o Brasil honrar seus compromissos. No melhor momento da série histórica, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,54% do PIB.

Previdência. A principal dificuldade do governo para entregar um resultado primário mais equilibrado continua sendo a Previdência Social. Em setembro, o descasamento entre receitas e despesas fez o rombo do INSS atingir R$ 28,14 bilhões - o maior déficit mensal da série histórica, iniciada em janeiro de 1998. No ano até setembro, o rombo é de R$ 141,41 bilhões.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, sem apoio no Congresso, o que restará ao governo é continuar a administrar déficits. “O governo continua registrando déficits e vai continuar a registrá-los. Não vejo outro jeito, porque é um governo sem apoio para aprovar a reforma da Previdência”, disse.

Já o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo, afirma que o governo caminha para cumprir a meta fiscal deste ano, que prevê déficit de R$ 163,1 bilhões para o setor público consolidado. / COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E THAÍS BARCELLOS

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