Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Brasil tem espaço para crescer no comércio internacional

Ministério da Agricultura tem plano estratégico para trabalhar imagem e sustentabilidade do agronegócio brasileiro

Camila Turtelli, Letícia Pakulski e Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2017 | 05h00

O Ministério da Agricultura pretende ampliar a participação do agronegócio brasileiro no comércio internacional, declarou o ministro em exercício, Eumar Novacki, na abertura do Summit Agronegócio Brasil 2017, em São Paulo. Ele ressaltou que o presidente Michel Temer “tem dado todo o respaldo para as ações do setor”. “Queremos chegar a 10% de participação do Brasil no mercado externo”, disse Novacki. “Isso representa mais US$ 30 bilhões na economia brasileira.”

No evento, ao mencionar o tema meio ambiente, Novacki garantiu que o Brasil tem uma vasta área preservada, ou 66,3% das áreas do País. “Em nenhum lugar o produtor preserva tanto quanto no Brasil.” Para ele, por causa disso, o agronegócio tem cerca de R$ 2 trilhões imobilizados, “a serviço do meio ambiente”.

O diretor do Departamento de Acesso a Mercados do Ministério da Agricultura, Gustavo Cupertino Domingues, afirmou que ainda há um grande espaço para que o Brasil explore o comércio exterior de produtos agropecuários e, para isso, está em andamento um plano estratégico para trabalhar a imagem e a sustentabilidade do agronegócio e a abertura de novos mercados. “Queremos expandir nossa pauta de exportações”, disse o executivo painel “Novos mercados, novas oportunidades”. Segundo Domingues, o projeto será realizado com base em consulta pública, já iniciada, e deve avançar em todas as etapas de implementação até o ano que vem.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Marcos da Rosa, também acredita que há espaço para o País crescer no exterior. Mas cabe às instituições o papel de ajudar o governo a apresentar o Brasil aos mercados lá fora, já que “os adidos agrícolas não são suficientes”.

Proteínas. Já na pecuária, o analista sênior do Rabobank, Adolfo Fontes, estima que o consumo de carnes no mundo deve crescer 45 milhões de toneladas nos próximos dez anos. Desse aumento, 10 milhões de toneladas devem ser apenas em carne bovina. Segundo Fontes, o crescimento da demanda global por proteínas sustenta a importância da oferta brasileira, que tem potencial de expansão, com ganhos de produtividade. O analista destacou que o País pode elevar sua produção, sem a necessidade de ocupar novos espaços ou mesmo desmatar, já que é possível recuperar as pastagens degradadas.

Sobre esse assunto, o diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Marco Túlio Moraes da Costa, disse acreditar que a recuperação dessas terras é de suma importância para o desenvolvimento da produção no País. Para Costa, o banco apoia o uso de integração lavoura-pecuária-floresta para retomar o cultivo em áreas degradadas. “Sabemos a importância de dar crédito sustentável”, destacou. 

Exportação de carne deve ser 5% maior em 2018

As exportações brasileiras de carne bovina devem crescer 5% em volume em 2018, afirmou o analista sênior do Rabobank, Adolfo Fontes, nos bastidores do Summit Agronegócio 2017. A perspectiva leva em conta que o embargo da Rússia às carnes brasileiras seja resolvido em 60 dias. Caso isso não aconteça, as projeções precisarão ser revisadas. Ele também parte do princípio de que os embarques da carne bovina in natura aos EUA sejam retomados no início de 2018. “Essa é a chave para o Brasil buscar outros mercados como México, Canadá e Japão”, disse, explicando que eles são responsáveis por 40% do mercado global da proteína. 

Sob iguais condições, Fontes projeta que as exportações de carnes suína e de frango avancem 3% em 2018. “As compras da China devem voltar a crescer após os ajustes de 2017.” As compras da Coreia do Sul, por Santa Catarina, devem sustentar os embarques. “Caso a Rússia não retome as compras de carne suína até fevereiro, vamos ter pressão interna de preços.” 

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