Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Brasil tem 'otimismo realista' sobre acordo entre Mercosul e UE

Ministério não vê crise política e escândalo da JBS afetando relação com o bloco

Aline Bronzati, enviada especial*, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 10h04

MADRI - O Brasil mantém um otimismo realista sobre a possibilidade de o Mercosul, bloco do qual faz parte, e a União Europeia fecharem ao menos um acordo político, ou seja, com os pontos principais no âmbito de uma relação de livre comércio até dezembro próximo, de acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil (MDIC), Abrão Miguel Árabe Neto. Ele não vê relação direta da atual crise política no País, deflagrada com as delações da JBS, com as negociações uma vez que, por definição, a parceria é de longo prazo, e disse que, apesar de complexas, as conversas têm conseguido avançar bem.

"O tom é de otimismo realista. Otimismo porque tem um cenário político muito favorável ao avanço dessa negociação, um apoio e convergência nas posições dos países do Mercosul e do lado europeu também  se nota um maior apetite por esse apoio, vide o anúncio de hoje de um acordo de princípios com o Japão", explicou Árabe Neto, em entrevista a jornalistas, durante o XVI Encontro Santander América Latina, evento organizado pelo banco na capital espanhola.

Segundo o secretário, há um calendário intenso de negociações que envolve diversos temas, com mais de dez mesas paralelas de negociação, tais como serviços, compras governamentais, dentre outros, sendo que o capítulo concorrência já foi fechado na rodada anterior. Estão previstas reuniões técnicas até o final do ano e que ocorrerão, inclusive, no Brasil, que assume a presidência do Mercosul no fim de julho, durante um semestre que tende a ser o mais importante no âmbito de um acordo de livre comércio junto à União Europeia.

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"Há sensibilidade dos dois lados. Do lado europeu, o setor agrícola é muito sensível e temos discutido essa questão porque é um setor importante. Do lado do Mercosul, a União Europeia representa um grande competidor, um player muito relevante e, principalmente, do lado do Brasil, temos de ter cuidado muito grande, permitindo buscar apoio gradual e instrumentos para permitir que a abertura seja positiva e se reverta em benefícios para a economia brasileira e o setor produtivo", explicou o secretário.

A expectativa do Mercosul, conforme Árabe Neto, é concluir os pontos principais e fechar um acordo político com a União Europeia assim como o anunciado com o Japão antes da conferência ministerial, que acontece em dezembro próximo, em Buenos Aires, na Argentina. Fechadas essas questões, segundo ele, começará um debate técnico que inclui a revisão dos textos e aprovação pela União Europeia e por cada país que integra o Mercosul.

As negociações para um acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia tiveram início em 1999, mas ficaram suspensas entre 2004 e 2010, quando foram retomadas. Em 2012, conforme o secretário, houve um compromisso para se trabalhar nas ofertas e a troca aconteceu em maio do ano passado. 

*A repórter viajou a convite do Santander Brasil

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