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Brasil terá crescimento em 2014 semelhante ao de 2013, diz Tombini

Eduardo Rodrigues, Renata Veríssimo e Victor Martins, da Agência Estado - Atualizado às 12h50

18 Março 2014 | 12h 13

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidente do Banco Central avaliou moderação do consumo e aumento dos índices de investimento

BRASILÍA - O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse nesta terça-feira, 18, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que o crescimento da economia brasileira em 2014 deve seguir ritmo semelhante aos observado em 2013. No último ano, o PIB (produção de bens e serviços) avançou 2,3%.

De acordo com a autoridade monetária, a atividade econômica foi marcada em 2013 por uma alteração na composição das demandas, com aumento dos investimentos e moderação do consumo das famílias.

"Essa mudança contribui para sustentabilidade do crescimento", disse. "O crescimento em 2014 deve permanecer próximo do patamar verificado no ano passado e seguirá sustentado por emprego e ampliação moderada do credito."

Para Tombini, há indicadores que apontam para a melhora da competitividade da indústria, o que representa uma mudança em relação a anos anteriores. Após dois meses de queda, a produção industrial mostra recuperação neste começo de ano.

"Aumentar a produtividade é fundamental para a indústria aproveitar oportunidades no mercado nacional e internacional", completou.

Tombini destacou que há mudanças na composição na demanda e também na oferta agregada, mas ponderou que os ganhos delas decorrentes depende da confiança das empresas e das famílias.

"Os avanços dos investimentos em logística e infraestrutura tendem a se traduzir em ganhos de produtividade para economia brasileira", disse.

Tombini destacou o programa de leilões concessões de infraestrutura para ampliar investimentos e disse que essas iniciativas visam tornar a economia mais competitiva.

"Ao contrário de economia avançadas, o Brasil precisa avançar em infraestrutura e qualificação de mão-de-obra. Por isso, as oportunidades e o retorno aqui são maiores", avaliou.

Crise internacional e inflação. Tombini entende que o Brasil reage a volatilidade global de forma "clássica e técnica". O comentário faz alusão a subida dos juros básicos (taxa Selic) na economia. Entre abril de 2013 e fevereiro de 2014, mês da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC, eles avançaram de 7,25% para 10,75%.

"Estamos apertando a política monetária para garantir que a inflação convirja para a trajetória de metas", afirmou.

O presidente do BC citou o recuo dos preços livres nos últimos meses e a elevação dos preços administrados no período para destacar que está em curso um realinhamento desses preços. "Isso ocorreu em um contexto de depreciação cambial que superou 15% nos últimos 12 meses. Essa depreciação é fonte de pressão inflacionária no curto prazo, mas efeitos mais longos podem e devem ser contidos pela política monetária", frisou.

Tombini ainda explicou aos senadores, em referência as reservas internacionais, que o país está usando "colchões" para proteger a economia e suavizar o ajuste de preços relativos e seus impactos na economia real.

"Há normalização das condições monetárias e, consequentemente, realinhamento dos preços dos principais ativos financeiros, o que naturalmente gera aumento da volatilidade em todos os mercados", disse. "Mas isso não deve ser confundido com volatilidade de economias emergentes."

Tombini reafirmou o que fontes do governo vêm dizendo repetidas vezes: "O Brasil está preparado para essa transição (econômica no mundo) e o resultado dela será positivo para economia global", afirmou.