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Brasil terá maior alta do desemprego entre grandes economias em 2016, prevê OIT

- Atualizado: 19 Janeiro 2016 | 18h 06

Entidade diz que 700 mil brasileiros devem perder o emprego e alerta que crise levará a uma 'queda severa' no mercado de trabalho

O Brasil registrará o maior salto na taxa de desemprego entre as grandes economias do mundo em 2016 e, durante o ano, 700 mil brasileiros devem perder seus trabalhos. Os dados foram publicados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em seu informe anual, aponta para o aumento do desemprego no País para 7,7% e alerta que a crise econômica levará uma "queda severa" no mercado de trabalho. 

O Brasil será responsável por um a cada três novos desempregados em 2016 no mundo. No total, 2,3 milhões de postos de trabalho serão destruídos no mundo. Desses, 700 mil estarão no Brasil. O mercado brasileiro ainda responderá por mais de um terço de todo o desemprego latino-americano. 

Em comparação a 2014, serão 1,2 milhão de novos desempregados no Brasil. "Essa é a maior elevação do desemprego entre as grandes economias", alertou ao Estado o diretor do Departamento de Pesquisas da OIT, Raymond Torres.  Segundo a OIT, o Brasil "entra numa recessão severa" e nem mesmo as políticas sociais e de promoção de empregos implementadas nos últimos anos serão suficientes para frear o desemprego. 

A taxa de desemprego passou de 6,8% em 2014 para 7,2% em 2015 e deverá ir a 7,7% ao final de 2016. Para a OIT, essa é uma "alta significativa". Em números absolutos, a alta é de 7,7 milhões de desempregados no ano passado para 8,4 milhões de pessoas em 2016. Em 2017, a taxa vai cair de forma marginal, para 7,6%. 

Mas, ainda assim, os dois próximos anos terão taxas acima da média registrada entre 2008 e 2013. "Será um ano muito difícil economicamente para o Brasil, com uma recessão e, apesar de tudo o que foi feito no passado para a criação de empregos e dos mecanismos institucionais e políticas sociais, nada será suficiente para conter o aumento do desemprego", declarou Torres. 

Além da crise interna, a exposição do Brasil ao mercado chinês também não ajudará. Com a pior taxa de crescimento em 25 anos em Pequim, as vendas nacionais devem sofrer e, uma vez mais, o impacto na criação de emprego será sentido.

Para o especialista da OIT, não há dúvidas de que a crise terá um "impacto real no mercado de trabalho". Mas o que ainda preocupa a entidade é que a consequência será um freio no combate à pobreza. 

Em 2015, 24% dos trabalhadores ocupava postos vulneráveis, sem garantias sociais e salários baixos. Essa taxa, porém, vai continuar pelos próximos dois anos. O número de pessoas ganhando apenas US$ 3,00 por dia também vai aumentar, depois de mais de uma década em queda. Em 2015, 5,1% dos trabalhadores recebiam salários miseráveis e, para 2016, a taxa passa a 5,2%. 

Para Torres, o Brasil precisa voltar a usar a política fiscal para tirar a economia da recessão. "A política fiscal precisa recuperar o protagonismo que teve nos anos passados, mesmo que o mix seja diferente", disse. "Ela precisa ajudar na recuperação e que não seja parte das medidas de austeridade, num país que não precisa da austeridade fiscal", alertou. 

Em sua avaliação, o Brasil deveria "usar melhor o espaço fiscal para investimentos públicos, para o desenvolvimento empresarial e para a mobilização de recursos produtivos, além da ajuda aos trabalhadores". "Isso precisa ser feito para recuperar a competitividade e evitar que a recessão continue", defendeu. 

O resultado, por enquanto, é que o desemprego no Brasil atingirá um nível bem superior à média mundial, que é de 5,8%. Ao final de 2015, 197,1 milhões de pessoas estavam sem trabalho no planeta e a previsão é de que, em 2016, esse número chegue a 199,4 milhões. 

Em comparação à 2007, quando a crise internacional deu seus primeiros sinais, 27 milhões a mais de desempregados existem hoje no mundo. Em 2017, a situação continuará a piorar, com outros 1,1 milhão de desempregados se somando ao número total. 

Emergentes. Mas se nos últimos anos a alta no desemprego foi gerado pelos países ricos e especialmente pela Europa, afetadas pela crise financeira em 2008, desta vez é o mundo emergente o grande responsável pela elevação na taxa mundial. "As perspectivas de emprego se deterioraram nas economias emergentes, em especial no Brasil, China e nos produtores de petróleo", indicou a OIT.

Em dois anos, os emergentes verão a perda de 4,8 milhões de postos de trabalho. Além dos 700 mil no Brasil, outros 800 mil desaparecerão na China. Oficialmente, porém, a taxa de desemprego de Pequim passará apenas de 4,6% para 4,7% entre 2015 e 2016. 

A queda nos preços das commodities ainda custará 2 milhões de postos de trabalho nos mercados emergentes até 2017. Para a OIT, a América Latina deve ser fortemente afetada por essa nova realidade nos preços de matérias primas e estará contaminada pela recessão no Brasil. 

A taxa de desemprego regional passará de 6,4% em 2014 para 6,7% em 2016. A produtividade vai se estagnar e 90 milhões de pessoas estarão em empregos vulneráveis. Os salários também deixaram de subir e o combate contra a pobreza pode sofrer. 

Segundo a OIT, a redução da desigualdade social foi estagnada desde 2010 e, dos 15 países avaliados, cinco deles registraram uma alta na disparidade de renda. Para a OIT, portanto, o risco de uma revolta social aumentará em 2016 nos países emergentes, justamente por conta da falta de oportunidades de trabalho. 

Empregos informais também devem crescer nos mercados nos emergentes. Segundo a OIT, ele atinge já 50% na metade dos países em desenvolvimento e, em um terço deles, a taxa supera a marca de 65%. "A falta de empregos descentes faz que as pessoas recorram ao emprego informal, com baixa produtividade, baixo salários e sem proteção social", alertou Guy Ryder, diretor da OIT. 

Já nos países ricos, a taxa de desemprego caiu de 7,1% para 6,7% entre 2014 e 2015 e, para 2016, ela deve chegar a 6,5%.  Na Alemanha, ela será de 4,6%, contra 5,4% no Reino Unido. Mesmo na Itália, com uma das piores taxas da Europa, o desemprego vai cair de 12,7% para 12%. 

Nos EUA, a taxa também cai de 5,3% para 4,9% e, pela primeira vez desde 2007, os americanos tem um número absoluto de desempregados abaixo do brasileiro, com 7,9 milhões de pessoas afetadas.

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