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Brasil vai puxar crescimento da América Latina para baixo, prevê S&P

Stefânia Akel, da Agência Estado

28 Abril 2014 | 18h 06

Região deve ter expansão modesta neste ano, entre 2,4% e 2,5%; PIB brasileiro deve desacelerar para 1,8% em 2014 e encostará nos 2% em 2015, projeta a agência de classificação de risco

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor's disse prever uma taxa de crescimento "modesta" para a América Latina este ano, o que reflete principalmente as expectativas de crescimento menor do Brasil. Já para outras economias da região, a previsão é de crescimento estável, com exceção do México, que deve apresentar uma retomada da atividade econômica. Segundo a S&P, a América Latina deve crescer 2,4% este ano, de 2,5% em 2013.

"Este ano, prevemos que o crescimento real do Brasil vai desacelerar para 1,8%, de 2,3% em 2013. Além disso, o crescimento deve continuar contido em 2015, em cerca de 2%", afirmou a agência, em relatório. 

A S&P apontou que essa perspectiva reflete uma combinação de fatores cíclicos e estruturais, incorporando incertezas com as políticas do governo após as eleições presidenciais de outubro. Segundo o relatório, o risco de racionamento de energia também pesou sobre as perspectivas de crescimento para 2014 e 2015.

A agência cita ainda que os efeitos das taxas de juros mais altas e das condições voláteis do mercado financeiro global pesarão no crescimento brasileiro nos próximos dois anos. Segundo a S&P, apesar de o ciclo de aperto monetário do Banco Central estar próximo do fim - em parte devido à aproximação das eleições -, um novo ciclo pode começar no próximo ano, com a probabilidade de preços maiores de energia.

"A depreciação cambial deve ajudar as exportações em 2014 e 2015. No entanto, a baixa confiança do setor empresarial continua a conter o investimento", afirmou a S&P. "Na sequência das eleições presidenciais de 2014, não esperamos que o governo fortaleça de forma significativa as políticas monetária e fiscal para impulsionar a confiança do setor privado."

Para a agência, a Copa do Mundo pode apoiar o crescimento econômico do Brasil temporariamente, mas seria mais "importante" para o sentimento do setor privado e para os investimentos o progresso em projetos de infraestrutura.

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