Tasso Marcelo
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Brasileiro bebe menos cerveja, mas Ambev amplia o lucro no País

Maior fabricante do setor na América Latina, companhia teve queda de 5,4% nas vendas, compensada pela aposta em produtos premium

Ana Carolina Neira e Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 12h55

O brasileiro está consumindo menos cerveja. Pelo menos é o que reporta a Ambev em seu balanço financeiro com os resultados do terceiro trimestre de 2017. No período, a empresa registrou uma queda de 5,4% nas vendas. Foram 1.848.500 milhões de litros ante 1.953.800 milhões durante igual período de 2016. O recuo foi maior do que a média da indústria, segundo informou a companhia com base em dados da Nielsen. O mercado de cerveja como um todo recuou 1% no mesmo intervalo.

No entanto, a empresa não sentiu os impactos dessa queda de consumo no caixa. Isso porque, durante o trimestre, a Ambev aumentou o preço das bebidas, parte de sua estratégia de investimento em marcas premium. Assim, mesmo vendendo menos, a receita da companhia subiu 9,7% entre julho e setembro deste ano.

Cenário. Para Ana Paula Gilsogamo, gerente da consultoria Mintel, o mercado de cervejas passa por um momento de transição, oportuno para que as companhias ampliem seu portfolio. Em relatório, ela aponta que há oportunidade para "impactar os consumidores de maneira mais segmentada."

Segundo a Mintel, de 2016 para 2017, as cervejas perderam espaço entre as prioridades dos brasileiros. Em uma pesquisa, 35% dos consumidores afirmaram estar bebendo “menos cerveja em geral”. No entanto, na hora de gastar, o público agora prefere beber um produto melhor, ainda que isso signifique beber menos. Assim, a procura por bebidas de melhor qualidade é o que movimenta o mercado, aumentando as vendas.

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"Apesar da queda no volume de consumo de cervejas em geral, recentemente muitos consumidores passaram a consumir mais outros tipos de cerveja que não as comuns, entre elas cervejas de maior valor agregado. Isso representa uma oportunidade para ampliar o crescimento em valor do mercado ainda que, como previsto, o volume continue em queda", indica Ana Paula Gilsogamo no documento.

Retomada. A Ambev usou um tom mais otimista para descrever suas perspectivas para o restante do ano de 2017. Em sua divulgação de resultados, a companhia afirmou que o mercado brasileiro "está de volta à sua trajetória" e acrescentou que espera se beneficiar de "receita líquida saudável" e crescimento de Ebitda no País.

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Nos últimos trimestres, a companhia havia considerado que a indústria de cerveja vinha encontrando dificuldades, mas agora a empresa menciona que está "cautelosamente otimista com a perspectiva da indústria de cerveja".

A Ambev afirma que a melhor expectativa se deve à redução do desemprego e aumento da renda disponível.

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