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NELSON ANTOINE/FOTOARENA

Brookfield desiste de fatia da OAS na Invepar, mas construtora manterá leilão

Resistência de fundos de pensão, sócios majoritários na Invepar, para alterar acordo de acionistas levaram grupo canadense a retirar proposta de R$ 1,35 bilhão por 24,4% da companhia; OAS deverá publicar edital para leilão em até cinco dias úteis

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Marina Gazzoni Naiana Oscar Cátia Luz,
O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2016 | 07h11

A gestora de recursos canadense Brookfield retirou a proposta de compra da participação da construtora OAS na concessionária Invepar, administradora do Aeroporto de Guarulhos. A informação foi confirmada pela Brookfield e pela construtora, que está em recuperação judicial, e mantém o plano de vender sua fatia de 24,4% na Invepar.

A Brookfield ofereceu, no ano passado, R$ 1,35 bilhão por 24,4% da Invepar, uma proposta que já tinha recebido o aval dos credores da OAS. Pelas regras definidas no plano de recuperação da OAS, a fatia da empreiteira na Invepar seria oferecida ao mercado em um leilão, mas, na ausência de outros interessados, a Brookfield poderia comprar a participação pelo preço preestabelecido.

A OAS informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai dar continuidade ao processo de venda. O plano de recuperação judicial da empresa, aprovado em assembleia de credores no fim do ano passado, foi homologado no dia 26 de janeiro e publicado ontem pela Justiça de São Paulo. Agora, a OAS tem cinco dias úteis para publicar o edital para o leilão de sua fatia na Invepar. A empresa deve seguir o rito e agendar a concorrência para 30 dias após a publicação do edital.

A Brookfield desistiu do negócio por não conseguir chegar a um acordo com os fundos de pensão Petros (da Petrobrás), Funcef (da Caixa) e Previ (do Banco do Brasil), que detêm o restante das ações da Invepar. “A efetivação da oferta da Brookfield estava condicionada ao cumprimento de alguns requisitos. Um deles era a revisão do acordo de acionistas da Invepar”, explicou a Brookfield, em comunicado. Sem a alteração no acordo, a Brookfield teria poderes limitados na tomada de decisões referentes à Invepar.

A gestora canadense continua interessada nas concessões da Invepar. A empresa deverá vender ativos para melhorar sua capacidade financeira, apurou o Estado. “A Brookfield poderá comprar o controle das próprias concessionárias”, disse uma fonte de mercado. A Invepar detém participações em 12 concessionárias que administram rodovias, aeroportos e ativos de mobilidade urbana.

A presença dos fundos de pensão no bloco de controle da Invepar também gerou desconforto entre outros interessados. Além do grupo canadense, a empresa francesa Vinci, dona de aeroportos na Ásia e na Europa, e a gestora de ativos brasileira GP Investments, aliada à americana Cerberus, também avaliaram a fatia da OAS na Invepar, mas as negociações não avançaram, apurou o Estado.

“O cenário mais provável é que ninguém faça proposta no leilão. Nenhum grupo quer ser acionista minoritário no meio dos fundos de pensão”, disse uma fonte próxima à empresa. “O temor é que os fundos votem questões relativas à gestão da Invepar motivados por um viés político”, afirmou outra fonte da área de infraestrutura.

Recuperação. As ações da Invepar são, de longe, o principal ativo da OAS. Os demais ativos à venda devem render, no máximo, R$ 250 milhões aos credores, disse uma fonte ao Estado. Além de sua participação na OAS, o plano prevê a venda de outros seis ativos – OAS Empreendimentos, OAS Óleo e Gás, OAS Soluções Ambientais, OAS Arenas, Estaleiro Enseada e OAS Defesa. A intenção da empresa é voltar a se dedicar à área de construção civil.

Mesmo sem a proposta da Brookfield, o preço mínimo no leilão para a fatia da OAS na Invepar é de R$ 1,35 bilhão. Após o leilão, os fundos de pensão terão 30 dias para decidir se exercem ou não seu direito de preferência na compra das ações da Invepar. Do contrário, parte da dívida da OAS será convertida em ações da Invepar, que passarão a ser detidas pelos credores da empresa. “Não é o que eles querem. O melhor seria de fato os fundos exercerem a opção de compra”, disse uma fonte de mercado.

A crise na OAS começou após o grupo ser investigado no âmbito da Operação Lava Jato, que apura irregularidades nos contratos entre empreiteiras e a Petrobrás. A empresa sentiu restrições de crédito e sofreu com a retração do mercado, abalando sua capacidade financeira. Com dívida estimada em R$ 8 bilhões, apresentou em 31 de março de 2015 um pedido de recuperação judicial.

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