CAB Ambiental se reestrutura e deve ter aporte

Acordo para a criação da nova empresa ainda depende de aval da prefeitura de Cuiabá, que ameaçou decretar caducidade da concessão

Renée Pereira e Mônica Scaramuzzo, O Estado de São Paulo

10 Julho 2017 | 05h00

A CAB Ambiental, controlada pelo grupo Galvão Participações (Galpar) – que está em recuperação judicial –, deve anunciar nos próximos dias mudanças no acordo de acionistas da companhia. A empresa está em fase final de reestruturação, que prevê a conversão de dívidas do Bradesco e do Banco Votorantim em ações e a entrada de um novo sócio, que deverá fazer um aporte de R$ 70 milhões na ‘nova CAB’.

Até então, os acionistas da companhia eram a Galpar, com 66,58%; e o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o BNDESPar; com 33,42%. Em novembro do ano passado, quando a RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, assumiu a gestão da empresa, a consultoria começou a discutir com os sócios e credores um novo desenho acionário para a companhia, que prevê a diluição da fatia da Galpar. 

Segundo fontes próximas ao assunto, um dos motivos da reestruturação foi o corte de financiamento do BNDES para investimentos da empresa, cujo controlador estava envolvido na Operação Lava Jato. A CAB era uma companhia muito alavancada, com boa geração de caixa, mas que não conseguia honrar os investimentos firmados em contrato. A solução para o BNDES voltar a financiar a empresa era a Galpar deixar o controle. E foi nesse contexto que a RK iniciou o plano de reestruturação para dar um rumo à CAB.

Com a nova estrutura, a Galpar se tornará um acionista minoritário e deve perder o direito de voto. A RK Partners criou um fundo, do qual será cotista e também vai incluir novos acionistas, Bradesco e Votorantim, que vão converter as dívidas em ações. Além disso, Ricardo K, como é conhecido no mercado, está negociando a entrada de dinheiro novo para a empresa, que tem dívidas de cerca de R$ 1,2 bilhão. 

O novo sócio será o fundo multimercado Cyan FIM, do investidor Flávio Guimarães, que busca oportunidades em infraestrutura, incluindo energia e saneamento, de acordo com fontes a par do assunto. O fundo deverá entrar com R$ 70 milhões – recurso que será usado como capital de giro para a empresa continuar operando.

O fechamento do acordo, contudo, está nas mãos da prefeitura de Cuiabá. O prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) colocou em suspensão a reestruturação da companhia ao ameaçar decretar a caducidade da concessão da CAB Ambiental na região, principal operação da empresa. Procurada, a prefeitura informou, por meio de sua assessoria, que recebeu os documentos da empresa e que deverá dar seu parecer sobre a concessão nos próximos dias. CAB Ambiental, RK Partners, Bradesco, Banco Votorantim, BNDESPar e Flávio Guimarães não quiseram comentar o assunto. 

Aposta. Fundada em 2006, a CAB Ambiental era uma aposta do grupo Galvão para avançar no segmento de saneamento, em um período que o grupo vivia pujança do crescimento econômico. A companhia de saneamento foi uma aposta da Galvão para diversificar seus negócios. Dragado pela Lava Jato, que investiga corrupção da Petrobrás, o grupo Galvão entrou em recuperação judicial e suas empresas controladas passaram a ter maior dificuldade financeira.

A companhia opera por meio de 18 contratos de concessão e Parcerias Público-Privada em cinco Estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Alagoas e Santa Catarina –, e atende cerca de 6,5 milhões de pessoas. 

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