José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Compra de irmão de Wesley e Joesley é barrada

Cade analisou aquisição do frigorífico Mataboi por empresa de José Batista Júnior, o Júnior Friboi, três anos após o negócio

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 12h41

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reprovou nesta quarta-feira, 18, a compra do frigorífico Mataboi pela JBJ, empresa de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. Na terça-feira, 17, o Estado adiantou que a tendência era o conselho vetar a operação.

Todos os conselheiros seguiram o relator do processo, Alexandre Cordeiro, que, em seu voto, considerou que o parentesco do dono da empresa, conhecido como Júnior Friboi, e os controladores da JBS poderia gerar problemas. “As relações entre JBS e JBJ são suficientemente fortes para levar à coordenação entre as empresas, a ponto de ser melhor prevenir riscos concorrenciais.”.

As empresas terão 30 dias para separar seus negócios. O presidente da Mataboi, José Augusto Carvalho, disse que recorrerá à Justiça. “Nos sentimos prejudicados porque o voto (do relator) foi todo calcado na JBS. São preocupações que não trazem nenhum elemento fático”, afirmou Carvalho, após o julgamento.

O presidente reclamou do prazo curto dado pelo Cade para que as empresas desfaçam a operação. Ele evitou ligar a delação dos executivos da JBS, que envolveu o próprio Cade, com a decisão em relação à JBJ. “Acho que eles têm uma preocupação legítima em relação ao porte que a JBS tomou, mas isso desvia a atenção de uma operação simples que é a nossa.”

Irmãos Batista. Nas últimas análises de operações envolvendo a JBS, o Cade já havia determinado que a JBS não poderia comprar novos frigoríficos em mercados em que já tem entre 30% e 50% de participação.

Cordeiro fez sua análise considerando as participações conjuntas da JBS e JBJ nos mercados de atuação da Mataboi e o impacto concorrencial disso. Ele ressaltou que o pai de Júnior Friboi, José Batista Sobrinho, fundador e atual presidente da JBS, tem pequena participação societária da JBJ e que Júnior atuou por muitos anos na empresa da família, da qual era sócio até 2013.

Em setembro de 2013, os irmãos Joesley e Wesley Batista foram afastados da presidência pela Justiça e Júnior Friboi foi indicado para assumir a presidência interinamente, o que não chegou a se concretizar porque os irmãos Batista chegaram a um acordo com o Judiciário antes. “Há interesses financeiros suficientemente elevados para caracterizá-los como grupo econômico ou poder de influência.”

A Mataboi já vinha sendo administrada por Junior Friboi, que comprou a empresa em 2014, quando o frigorífico estava em recuperação judicial. O movimento ocorreu após ele deixar o grupo JBS em 2013 com planos de concorrer ao governo de Goiás. As três plantas compradas da Mataboi formam todos os ativos frigoríficos da JBJ, que tem também fazendas de gado para abate e empreendimentos imobiliários.

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