Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Caixa antecipa saque do FGTS para nascidos em setembro, outubro e novembro

Para operacionalizar os saques, 2.015 agências da Caixa abrirão das 9h às 15h neste sábado; Já nos dias 12, 13 e 14 de junho, as agências abrirão duas horas mais cedo

O Estado de S.Paulo

06 Junho 2017 | 10h52

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal antecipou novamente o calendário de saques de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Para os beneficiários nascidos em setembro, outubro e novembro, a data para início dos saques, prevista em 16 de junho, foi remarcada para o próximo sábado, dia 10 de junho. A medida foi anunciada pelo presidente da Caixa, Gilberto Occhi, em coletiva na sede do banco em Brasília.

Com a nova fase de pagamentos, a expectativa é já superar os R$ 30 bilhões liberados das contas inativas, informou o presidente. Segundo Occhi, a projeção inicial de pagamentos entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões será facilmente superada ao final do programa. "A perspectiva de pagamentos se aproxima dos R$ 40 bilhões", disse.

Para operacionalizar os saques, 2.015 agências da Caixa abrirão das 9h às 15h neste sábado, e outras 69 agências terão a sala de autoatendimento disponível aos beneficiários. Já nos dias 12, 13 e 14 de junho, as agências abrirão duas horas mais cedo do que o habitual para atender os beneficiários. A antecipação, segundo Occhi, se deve à proximidade da data prevista inicialmente ao feriado de Corpus Christi.

Entre 10 de março e 02 de junho, a Caixa registrou o pagamento de R$ 27,6 bilhões relativos às contas inativas do FGTS, 95,2% do total inicialmente previsto no período (R$ 29,1 bilhões). Foram beneficiados 16,3 milhões de trabalhadores, 81% do total, segundo a Caixa. O saque das contas inativas do FGTS para beneficiários nascidos em dezembro está prevista para 14 de julho. Até lá, trabalhadores nascidos nos outros meses também poderão solicitar o pagamento.

Impacto revisado. O presidente da Caixa ainda afirmou que o governo, por meio do Ministério do Planejamento, pode rever a estimativa de impacto do saque das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na atividade econômica. Segundo o presidente, a expectativa é de que os pagamentos se aproximem dos R$ 40 bilhões, mais do que a previsão inicial, entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões. Com as projeções anteriores, a estimativa era um impacto equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o banco, algumas contas que eram consideradas ativas passaram a ter status de inativa depois que os beneficiários comprovaram a rescisão dos contratos. Antes, o sistema não detectava a situação muitas vezes porque as empresas não haviam comunicado o desligamento do funcionário, por isso a colisão nos dados. Isso contribuiu para o aumento da estimativa do valor total de saques.

"É bem provável que o Planejamento, no próximo calendário (de saques) ou final, possa rever estimativa de impacto no PIB. Essa estimativa pode ser feita em agosto", disse Occhi. "Nunca descartamos possibilidade de saque de total das contas inativas (R$ 43 bilhões)", afirmou a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Deusdina Pereira.

Redução de juros. A Caixa Econômica Federal prepara para o segundo semestre deste ano medidas para reduzir as taxas de juros praticadas pelo banco. As medidas valeriam não apenas para os financiamentos na área de habitação, mas também em outras modalidades. "Estamos estudando algumas medidas. Vamos trabalhar para reduzir as taxas", disse o presidente da Caixa, Gilberto Occhi.

Um dos projetos da Caixa quer incorporar informações mais personalizadas na análise de risco do cliente. "Queremos conciliar a cota de financiamento (quanto é solicitado) com relacionamento", disse Occhi.

Nas linhas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), por exemplo, há hoje apenas diferenciação de taxas de juros para correntistas e não-correntistas da Caixa. O plano, segundo o presidente, é avaliar outros aspectos, como o relacionamento do cliente com o banco e o valor do empréstimo.

Segundo Occhi, se uma pessoa pede financiamento de R$ 450 mil e outra solicita R$ 300 mil, o banco quer poder oferecer 0,5% a menos (por exemplo) na taxa de juros para quem pediu o menor valor. A análise do prazo também seria feita dessa maneira.

 

IPO. Occhi reafirmou que a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade está suspensa. "Não adianta falar nisso se não resolver o balcão", disse.

A Caixa tem contrato com a francesa CNP Assurances, que controla a Caixa Seguros, que prevê exclusividade na venda de seus produtos na rede da Caixa até 2021. Segundo Occhi, a obrigação é renegociar o contrato com dois anos de antecedência, mas as discussões já estão em andamento entre os assessores financeiros. "Tomamos a decisão de fazer agora", disse.

"O IPO por enquanto está suspenso, não tem sentido", afirmou o presidente da Caixa.

Eleições do FI-FGTS. Occhi também evitou fazer comentários sobre a eleição do jornalista Luiz Fernando Emediato, ligado à Força Sindical, para a presidência do FI-FGTS (fundo que usa parte do FGTS para aplicar em projetos de infraestrutura).

Delatores da Odebrecht e da JBS acusaram Emediato de ter recebido propina para liberar recursos do FI-FGTS para a Odebrecht Transport (braço de transportes da empreiteira) e para beneficiar o grupo J&F, controlador do frigorífico, no período em que trabalhou no Ministério do Trabalho.

"Não tenho comentário nenhum a fazer. Ele foi eleito segundo as regras do comitê", disse Occhi. O presidente da Caixa disse que Emediato "tem todo o direito de provar sua inocência" e que é preciso aguardar as investigações.

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