Adriano Machado/Reuters - 23/8/2017
Adriano Machado/Reuters - 23/8/2017

Caixa de empresa ou banco não é disponibilidade sacável, diz presidente do BNDES

Paulo Rabello de Castro mostrou-se irritado após a divulgação de notícia segundo a qual o banco de fomento teria no seu caixa os R$ 180 bilhões que a União está pedindo que sejam devolvidos ao Tesouro Nacional

Francisco Carlos de Assis, Broadcast

03 Outubro 2017 | 20h01

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, mostrou-se extremamente irritado com a divulgação na imprensa nesta terça-feira, 3, de notícia segundo a qual o banco de fomento teria no seu caixa os R$ 180 bilhões que a União está pedindo que sejam devolvidos ao Tesouro Nacional. Para ele, fazer tal afirmação é não prestar atenção em uma coisa óbvia. "O caixa, seja de uma empresa ou de um banco, não necessariamente é uma disponibilidade 'sacável'. Isso é uma ignorância financeira total", disse Rabello de Castro.

Para ele, uma empresa ou um banco pode ter, momentaneamente, muito caixa e estar quebrado "porque o caixa pode ser que seja para pagar todas as dívidas que vou ter que saldar depois de amanhã, mas que estão em caixa". "A situação do banco é confortável, mas não para a União Federal dizer que vai sacar quantidades que em termos de magnitude, de bilhões, ela é completamente incompatível com a combinação que foi feita", disse.

Rabello de Castro explicou que a incompatibilidade entre o combinado com o BNDES e o que está sendo pedido agora pela União - devolução de R$ 180 bilhões ao caixa do Tesouro Nacional - reside no fato de que o banco de fomento recebeu títulos com prazos de 2051 e 2052. "Quando você recebe papéis para 2051 e 2052, presume-se que seu fluxo de caixa respeite um prazo longo porque esta é a vocação do banco. Investir em barragens, em grandes projetos de engenharia é realmente a nossa vocação. Não é um crédito rotativo", queixou-se o presidente do BNDES.

De acordo com ele, é um esforço muito grande que o banco está fazendo já para atender "a essa demanda emergencial que não se computa em milhões, mas que se computa em bilhões".

Ele disse que R$ 33 bilhões já foram repassados ao Tesouro na semana passada e mais R$ 17 bilhões para fechar "emergencialmente" os R$ 50 bilhões para este ano. "E volto a reiterar que deveríamos ter mais respeito a bilhões. Este País precisa respeitar quando começa com bi. Para que as pessoas que não sabem exatamente o que podem ser os R$ 50 bilhões que vamos devolver, é mais do dobro do total dos investimentos federais em todas as áreas e setores do País este ano. Aí está computada a transposição do Rio São Francisco, obras rodoviárias, ferroviárias e o diabo a quatro. Tudo somado, esse cheque do BNDES é mais do dobro", advertiu o presidente do BNDES.

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Perguntado sobre qual seria o prazo razoável para o BNDES devolver os R$ 130 bilhões ao Tesouro, Rabello de Castro disse que não há esse prazo e que o ele, a equipe econômica e o presidente Michel Temer não estão combinando este prazo. "A única coisa que foi pedida é R$ 130 bilhões em 2018. Em 2019 é um próximo governo. Então ninguém pode ficar fazendo combinações ou pelo menos não estar num orçamento plurianual tal como ele é realizado hoje. Não há combinação de nada para 2018", disse.

Rabello de Castro disse apenas que o BNDES está acabando de estudar para poder dar para a imprensa e para a sociedade, dentro de algumas semanas um panorama mais claro "da nossa eventual impossibilidade".

Rabello de Castro participou nesta terça-feira, 3, de cerimônia de assinatura de acordo entre o BNDES e a Fundação de Amparo à Pesquisas do Estado de São Paulo (Fapesp), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

 

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