1. Usuário
E&N
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Caixa sobe juros para financiar a casa própria

- Atualizado: 29 Março 2016 | 13h 52

Taxas sobem até 1,32 ponto porcentual; com encarecimento do crédito, imóvel usado de R$ 800 mil fica até R$ 65 mil mais caro

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira, 28, a segunda alteração no crédito imobiliário só neste mês. A partir de agora, as taxas de juros para imóveis residenciais financiados com recursos da poupança sobem até 1,32 ponto porcentual. É a quarta elevação de juros pelo banco estatal desde o ano passado.

Ao fim do financiamento, isso significa que um imóvel usado de R$ 800 mil pode ficar até R$ 65 mil mais caro.

As taxas estão em vigor desde a véspera do feriado de Páscoa. Na mesma data, também começaram a valer os novos tetos de financiamento, anunciados no início do mês, que esticaram para até 80% o porcentual do valor do imóvel que poderá ser financiado.

Por enquanto, nada muda para as linhas que usam o FGTS como fonte de recursos e nem para o programa Minha Casa Minha Vida.

 

A taxa de imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) para clientes sem relacionamento com o banco (taxa balcão) subiu de 9,9% para 11,22%. Para clientes do banco, o juro passou de 9,8% para 11%, no caso de trabalhadores do setor privado, e de 9,5% para 10,5%, para servidores públicos. Quem ainda recebe o salário pelo banco também tem novas taxas: 10,5% (setor privado) e 10% (servidores). Nesta categoria estão os imóveis de até R$ 750 mil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Distrito Federal, ou até R$ 650 mil para as demais localidades.

Já a taxa balcão para as residências enquadradas no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), os imóveis mais caros, passa de 11,50% para 12,50%. Funcionários do setor privado vão pagar agora uma taxa de 12% (ante 11,2%) e os servidores, 11,5% (ante 11%). Também muda a taxa para clientes que recebem pelo banco: 11,5% (setor privado) e 11% (servidor).

Poupança. Em nota, o banco estatal, que é o maior financiador da habitação no País, afirma que a alta da taxa de juros está associada à saída de recursos da poupança. Em 2015, a caderneta registrou saída líquida - a diferença entre saques e depósitos - de R$ 53,6 bilhões. Só nos dois primeiros meses de 2016, a fuga de recursos é de R$ 18,7 bilhões.

“É seguro dizer que estamos vivendo um esgotamento da poupança. Como não há recursos, ou se restringe na quantidade ou no preço dos financiamentos (juros), como é o caso agora”, diz Eduardo Zylberstajn, pesquisador e coordenador do Índice FipeZap, que pesquisa o preço de imóveis.

 
 

Para o presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), Flávio Amary, a medida é negativa e dificulta a retomada de confiança no setor. “O que precisamos neste momento é que as pessoas voltem a ter previsibilidade, que é a base em um setor de longo prazo como o imobiliário”, afirma.

O consultor e fundador do site Canal do Crédito, Marcelo Prata, também critica a medida. “É mais um sinal de desconexão da Caixa com o mercado. A todo momento, consumidores e incorporadores são surpreendidos com mudanças. Para mim, fica claro que a atual gestão do banco é puramente política”, afirma.

Na opinião de Prata, os bancos privados devem seguir a Caixa e também elevar as taxas de juros e apertar as condições de financiamento. “Quando a taxa está mais cara, diminui a margem de negociação dos consumidores”, afirma.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX