Calmaria traz otimismo a mercados apesar de riscos

Ontem as bolsas de Nova York fecharam em valorização muito expressiva, especialmente a Nasdaq - que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática -, atingindo o nível mais alto desde meados de agosto. O mesmo ocorreu com o dólar no Brasil, que fechou em 2,4370 - o que não se via desde julho. Mesmo com todas as incertezas ainda presentes, o que exige cautela, a recuperação desses mercados é clara. Aqui, a entrada de dólares e os bons resultados das contas externas e públicas mantêm os investidores otimistas, apesar da crise argentina. O fato é que grandes empresas estão captando volumes consideráveis de recursos no exterior e o fluxo de dólares segue indiferente às dificuldades no país vizinho, já incorporadas nas cotações negociadas, segundo analistas. E, no cenário internacional, a guerra no Afeganistão surpreendeu a todos e tem causado perdas muito menores aos Estados Unidos do que se esperava. Nem os ataques do exército de Israel à Autoridade Palestina abalaram os investidores, embora os preços do petróleo tenham subido pontualmente no início do dia para depois fechar em queda. Os EUA ainda estão em recessão, mas a retomada do crescimento é esperada para o segundo semestre de 2002 com o fim dos conflitos na Ásia, e os mercados já se adiantam à melhora da conjuntura. Argentina é o maior risco para o Brasil Para o Brasil, o principal risco ainda é a Argentina, em crise profunda, mas a reação dos mercados só será mais visível se - analistas brasileiros diriam quando - vier o colapso financeiro, com reforma do regime cambial. Por enquanto, as medidas de controle dos saques bancários e evasão de dólares estão surtindo efeito, o que garante uma certa tranqüilidade nos mercados portenhos. Mas o clima é de ceticismo quanto às perspectivas de médio prazo do país. Ontem surgiu o primeiro obstáculo legal ao pacote de controle de saques e evasão de divisas. Um juiz da alçada que julga os atos do governo considerou as medidas um abuso no direito do cidadão em primeira instância, iniciando a contestação jurídica das medidas. A decisão, ainda que provisória, trouxe alguma preocupação aos mercados em Buenos Aires. Além disso, os investidores esperam o que virá a seguir. Depois da troca dos títulos da dívida em poder de credores internos, agora as expectativas são pela liberação de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Fontes do governo afirmam que os US$ 1,260 bilhão esperados devam sair antes do Natal, o que ninguém no FMI se atreve a confirmar. Na verdade, há rumores de que o Fundo seja mais um dos muitos fatores de pressão pela dolarização da economia ou desvalorização do peso. As duas medidas são drásticas, pois substituir completamente o peso pelo dólar requer apoio do governo norte-americano, o que ao menos agora, não existe claramente. Mas desvalorizar significa reajustar 60% de todas as dívidas - privadas e públicas - pela oscilação cambial. É difícil imaginar que algum político determine uma medida tão impopular. Mas a situação é crítica. Entre quinta e sexta-feira da semana passada, véspera do pacote, as reservas internacionais da Argentina caíram US$ 1,199 bilhões, chegando a US$ 18, 47 bilhões, dos quais apenas US$ 14,74 bilhões correspondentes a ouro, moeda estrangeira e depósitos de prazo fixo. Esse é considerado um nível excessivamente perigoso para as reservas, especialmente dado o mecanismo de conversibilidade. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

05 Dezembro 2001 | 08h01

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