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Caminhões invadem ruas de Bacarena

Renée Pereira

07 Junho 2014 | 16h 47

Falta de planejamento causa dias de caos na cidade

De um dia para o outro, a cidade de Barcarena, localizada a uma hora da capital Belém, foi invadida por centenas de caminhões graneleiros. As ruas da cidade e a estrada que cruza o município ficaram lotadas de carretas aguardando para descarregar no recém-inaugurado terminal da americana Bunge, conta o consultor do Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente (Idel), Frederico Bussinger, que estava na região para um trabalho na área. “Só no posto do entroncamento da rodovia tinha cerca de 150 carretas. Novos pátios surgiram em terrenos recém-desmatados aqui e acolá.”

O caos durou alguns dias e foi provocado pelo descasamento entre a entrada em operação do terminal em Barcarena e da Estação de Transbordo de Miritituba. Sem licença de operação (que só foi obtida em 19 de maio), o terminal não pode começar a funcionar simultaneamente ao de Barcarena. Assim, toda a carga, que iria por hidrovia, foi transportada por caminhão até a cidade, de 99 mil habitantes.

O morador de Barcarena, Benedito da Barra, diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de cidade (CDL), conta que, por causa do excesso de peso dos caminhões, o asfalto das ruas e das estradas ficou danificado. Segundo ele, por enquanto, os investimentos feitos no Porto de Vila do Conde e nos terminais de uso privativo não trouxeram grandes benefícios para o município, onde menos de 30% dos domicílios são abastecidos por rede de água e, em 88% deles, o esgoto não é tratado.

“Infelizmente, não vemos os benefícios desses empreendimentos. O emprego está mais difícil e o comércio piorou”, conta o morador. Ele destaca que uma empresa de alumínio, programada para se instalar em Barcarena, desistiu do investimento. “A expectativa é que geraria muitos empregos para o município. Os novos terminais exigem pessoas qualificadas, que não tem aqui.”

Para Bussinger, é preciso tomar cuidado para não criar novamente ilhas isoladas das cidades, como ocorreu no passado com o ciclo de investimentos na Amazônia. “É preciso ter uma integração entre os projetos e as cidades”, destaca o consultor.

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