Canais de esportes vão disputar cliente sem TV por assinatura

Para acessar conteúdo da "Watch ESPN", bastará o cliente ter banda larga; Globo também estuda modelo

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 05h00

A briga pela preferência do fã de esportes vai sair da TV por assinatura para aportar na clientela dos serviços de banda larga fixa. Após a rede americana HBO lançar, ainda timidamente, seu produto de streaming online de filmes e séries no País – com a plataforma HBO Go –, a ESPN e a Globosat estão trabalhando em produtos que veiculam conteúdo sem o cliente ter a necessidade de fazer uma assinatura de TV paga.

Ao contrário do que ocorre com serviços como o Netflix e o Amazon Prime, em que a relação comercial se dá entre o consumidor e o provedor de conteúdo, o modelo adotado por marcas que ficaram conhecidas dentro da TV por assinatura pode ser diferente. A ESPN, que vai lançar no Brasil uma versão da plataforma Watch ESPN para clientes que não são assinantes do canal de televisão, deixará a cobrança de sua oferta online nas mãos das operadoras – no caso, das provedoras de banda larga fixa.

O diretor-geral da ESPN no Brasil, German Hartenstein, afirma que a extensão do Watch ESPN vem para reforçar uma estratégia que inclui três canais de TV por assinatura, site, plataforma de streaming e aplicativos voltados para o público brasileiro. Embora o Watch ESPN não traga todas as atrações da emissora, o executivo diz que o acervo da plataforma inclui conteúdos sobre diversos esportes, além de vários títulos da linha de documentários da companhia. A oferta terá ainda eventos ao vivo selecionados.

Alcance. A busca pelo público que hoje está fora da base de clientes de TV paga faz sentido no Brasil, de acordo com Hartenstein, porque o universo de assinantes do serviço no Brasil ainda é relativamente pequeno. “Nos Estados Unidos, a cobertura de TV a cabo nos lares é de 90%, ou 90 milhões de residências. No Brasil, são 18 milhões de assinaturas, ou uma penetração de 27%”, diz o executivo. “Diante dessas diferenças, a estratégia da ESPN (que é americana) varia de acordo com as necessidades da região. Na Índia e na China, por exemplo, a estratégia é principalmente digital. O objetivo foi chegar a todos os celulares desses países. Na África, o projeto segue o mesmo raciocínio.”

A primeira parceria da ESPN com uma operadora de banda larga deve ser lançada nas próximas semanas – os últimos detalhes do acordo estão sendo acertados –, mas a ideia de Hartenstein é que esse seja apenas o início do projeto. O objetivo, segundo ele, é que todas as marcas de banda larga fixa venham, no futuro, a oferecer o conteúdo da ESPN. Em alguns casos, a oferta extra do canal pode ser um argumento para as provedoras de banda larga angariarem novos assinantes.

Nichos. Tanto a ESPN quanto a Globosat, que é dona dos canais SportTV, estão de olho nos nichos que podem ser oferecidos via internet. No caso dos canais de esporte da Globosat, informa a diretora de marketing da área de esportes do Grupo Globo, Bianca Maksud, o primeiro projeto voltado às operadoras de banda larga, sem conexão com a assinatura de TV paga, deverá se concretizar com o uso do conteúdo do canal Combate, voltado principalmente aos fãs do mundo do MMA.

A executiva diz que ainda não existe data para que o produto seja lançado, mas afirma que o objetivo do Grupo Globo é que o Combate em versão 100% online chegue ao mercado ainda em 2017. “O Combate tem uma comunidade engajada e com perfil bastante digital”, conta Maksud. “Precisamos acessar novos assinantes por qualquer via.”

Num primeiro momento, a executiva do Grupo Globo conta que as assinaturas baseadas na web estão sendo pensadas especialmente para plataformas premium, que não estejam incluídas nos pacotes básicos das operadoras. Uma das ofertas poderá ser voltada justamente para o “filé mignon” da programação esportiva: os eventos ao vivo, por meio de assinaturas exclusivas da linha Premiere Sports.

Mais canais. Embora a questão da oferta de produtos de streaming seja delicada, por causa da longa relação dos canais com as operadoras de TV por assinatura, o Estado apurou que vários outras emissoras do segmento de entretenimento pretendem entrar na oferta de serviços diretamente pela internet – entre elas a rede Telecine, de filmes. Procurada pela reportagem, a rede Telecine não quis comentar o tema. 

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