NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Canteiro de obras da transposição do São Francisco é depredado

Ministério da Integração Nacional diz que suspeita é que quebra-quebra foi feito por credores da construtora Mendes Júnior, em Salgueiro (PE)

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - A depredação de um canteiro de obras do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco, na última sexta-feira, em Salgueiro, no sertão pernambucano, levou o governo federal a criticar a empreiteira Mendes Júnior, que não teria pago dívidas no comércio da região. Em nota divulgada ontem, o Ministério da Integração Nacional afirmou que há “suspeitas” de que o grupo de pessoas que invadiu e promoveu um quebra-quebra nas instalações do projeto era formado por credores da empresa, afastada da obra depois de ser considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Procurado para comentar o caso, o advogado da empreiteira, Marcelo Leonardo, afirmou: “A Mendes Júnior, neste momento, opta por não se manifestar sobre a nota do ministério e lamenta os fatos ocorridos”.

No comunicado, o ministério destacou que fez todos os pagamentos devidos a empreiteira durante os trabalhos. Os credores da construtora, segundo a pasta, reclamam de um débito total de cerca de R$ 24 milhões. O governo, por sua vez, afirma que a empreiteira lhe deve mais de R$ 200 milhões. “O Ministério da Integração Nacional destaca que não há passivos seus em relação à empresa Mendes Júnior. Ao contrário: a empresa é que tem dívidas pendentes com a pasta, referentes a multas por readequação de preços e a penalidades contratuais.”

Depredação. O governo avalia que o “ato criminoso” de depredação do canteiro põe em risco o abastecimento de pelo menos 3 mil pessoas em 17 comunidades que poderão vir a ser favorecidas pela chegada da água no Reservatório de Terra Nova. Em um boletim de ocorrência, a construtora Emsa, líder do consórcio que venceu a disputa para completar as obras, informou à polícia que seus empregados estão sofrendo ameaças. “As ameaças verbais são frequentes e agressivas. Se referem à intenção de fechar o prédio onde funciona a coordenação do Eixo Norte e a gerenciadora, invadir e paralisar o canteiro da empreiteira Emsa, assim como das suas subcontratadas, fechar a BR-116 no trecho em frente aos escritórios da coordenação e depredar o canal e as obras”, ressaltou o comunicado do governo.

Na nota, o ministério observa que, embora os débitos da empreiteira com os comerciantes da região referem-se a uma relação contratual entre empresas privadas, o governo tenta mediar um acordo. Uma equipe da pasta manteve reuniões com representantes da Mendes Júnior e com os credores.

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